confusão na boate

2803 Words
~~CAPÍTULO 15~~ CHLOE ROSS — Doutora Chloe Ross, emergência no quarto 763. O interfone apitou repetidas vezes, que paciente? Eu pensei, droga, a menina que entrou aqui há duas semanas, rapidamente saí correndo para o andar de cima. A ala de internação, não, não, não, convulsão não é um bom sinal. — Doutora, ela está tendo uma convulsão. A enfermeira relatou assim que entrei no quarto, dei uma olhada rápida nela, olhos amarelos, mais pálida que o normal, lábios partidos. — Preparem-se para iniciarmos o processo de intubação. Informei as enfermeiras rapidamente, vestindo as luvas, preparei uma dosagem para parar seu surto de convulsão. — Ela é só uma criança. A mãe disse. — Senhores vocês precisam sair do quarto. Injetei uma dose... e os aparelhos pararam de apitar, toquei sua mão, porque as feridas não estão sarando? Elas estão piorando e ninguém se dignou em avisar-me. — Façam teste de HIV, imediatamente. Ordenei as enfermeiras. — A doutora acha que... — As feridas não estão sarando, ela está com imunidade baixa demais para ser apenas sífilis, façam também um kit de estupro, quero saber o que está acontecendo aqui e como ela está piorando e não apresentando melhoras. Eu suspirei, espero que eu não chame a polícia. — Sejam rápidas, ela precisa ser intubada, seu corpo está com muita dor, colocar ela em coma é a melhor opção. — Agora mesmo doutora. Eu saí para falar com os pais. — Doutora. — Vocês tem mais filhos? Questionei impaciente. — Um menino. — Traga-o, precisa fazer exames, vocês farão um teste rápido de HIV. Informei a eles. — O quê? — HIV. Eu não vi nenhum sinal de abuso na menina, mas, pode ter acontecido do outo jeito. Eu esperei eles terminarem de fazer o kit de estupro, depois induzimos ela ao coma e esperamos os novos medicamentos façam efeitos nela. — Eu preparei chocolate quente para doutora. Senhorita Leticia disse salvando meu dia. O que eu faria sem ela? — Muito obrigada, o resultado do Kit? — Ainda não está pronto doutora, coma um pouco, trago quando tudo estiver pronto. — Obrigada. Eu voltei para minha sala porque tenho pais esperando por mim. — Doutora. — Como vai à consulta com o psicólogo? Eu questionei, encarando-os, a situação é mais complexa que imaginei. — Ainda não tivemos tempo para ir. Uma desculpa vem aí. — Porque? — Nossa filha. Senhorita Leticia entregou-me o relatório dos exames detalhados. Ela não foi estuprada, mas, testou positivo para HIV, ela está em estado muito avançado. — Inicie o tratamento de HIV imediatamente. Informei a Leticia para informar as enfermeiras que estão cuidado da minha pequena paciente. — Sim doutora. Quando minha assistente saiu, encarei os pais, não irei tolerar mais uma desculpa vindo deles, a vida daquela criança está sob meus cuidados. — Sua filha está sendo cuidada, mas, como imaginava, ela tem HIV, nasceu com HIV, podem me explicar como negligenciaram essa situação? — Eu não sabia. A mãe respondeu rapidamente. — Claro que sabia, não está surpresa. Eles permaneceram em silencio. — Vou encaminhá-los para sala de aconselhamento, precisam iniciar o tratamento imediatamente. Não é o momento de aconselhar, quanto mais rápido iniciarem o tratamento melhor. — Nós podemos pensar? — Eu vou chamar o conselho tutelar. Peguei o telefone e disquei o número deles. — Não precisa disso, nós podemos. — Boa tarde, aqui é o conselho tutelar. Eles precisam lidar com essa situação, não posso me preocupar com a saúde do menor e dos pais, se eles não querem iniciar o tratamento é a escolha deles, mas, as crianças iniciarão, nem que isso pare na justiça. — Aqui é doutora Chloe Ross, tenho uma situação, que preciso da vossa ajuda. Olhei para os pais. — Estamos a caminho doutora Ross. Encerrei a chamada, o conselho tutelar chegará em poucos minutos, eles assumirão este caso. — Aonde está o menino? — Minha irmã irá traze-lo para fazer os exames. — Sua irmã tem condições de cuidar dos seus filhos? Questionei. — Você não pode fazer isso, eles são nossos. — Negligenciar a saúde deles, diz muito, ou passam por aconselhamento, ou sua irmã assumirá a guarda das crianças, pelo bem de todos. — Eu posso entrar? Um casal, do conselho disseram depois de duas batidas na porta. — Por favor. Eu expliquei tudo a eles, eles não podem obrigar os pais a iniciar o tratamento, mas as crianças sim, nós fomos verificar a criança em causa, ela ainda está em coma, respirando com ajuda dos aparelhos. — Negar tratamento a uma criança é crime, eu preciso chamar a polícia e iniciar um processo criminal. Que eles cuidem disso. — Por favor sem polícia, meus filhos vão fazer tratamento, assino os papais de compromisso. — Me acompanhem. — A doutora chamou o conselho tutelar? A senhorita Leticia questionou-me surpresa com a minha decisão. — Não tinha escolha, eles estavam me dando muitas desculpas. Respondo exausta, fui verificar meus pacientes antes de terminar o turno. No sábado, estou no meu quarto, pronta para sair. Meus cabelos estão se comportando felizes por terem sido modelados em ondas à custa do secador, e o vestido novo, me cai como uma luva. É preto, curto e muito justo. Com olhos esfumados e dramáticos e lábios nude, estou bem sexy. Vou até a cozinha e encontro Emily na janela com uma taça de champanhe, está linda como sempre, em um vestido frente única creme. Ela pula do balcão e calça os sapatos de salto dourados. — Está tudo bem? Arquejo uma sobrancelha, passando os olhos por seu vestido. — Sim, muito trabalho. Ela dá aquela risada solta que nunca falha em me fazer sorrir também. — Aqui está. Emily me oferece uma taça de champanhe, que aceito agradecida e praticamente viro em um só gole. Vem em boa hora. — Sua irmã chegou. Vamos nos divertir. Entramos no clube dos Bellucci e imediatamente encontramos meu cunhado no bar. — O que você vai beber? Pergunta Emily. — Martini por favor. Emily pede as bebidas, e vamos para uma mesa alta, perto do DJ. Conforme o whisky entra, meus pensamentos atormentados saem. Estamos rindo e conversando, e começo a me sentir normal de novo. — Como se esperássemos que ia casar virgem, como vai contar ao papai? Minha irmã pergunta, em tom de crítica — Bailey, você não casou virgem. Emily revira os olhos, olhando para os outros dois como se os achasse os mais idiotas. — Não é óbvio? Bailey bufa. Dou de ombros. O que é óbvio? Emily balança a cabeça. — Você são idiotas, não? É simples… Ele quer a Chloe. Está pressionando-a para apressar o noivado. — Quebrando o juramento? Papai não fala disso. — Estou só comentando. Chloe é apaixonada por ele desde adolescente. Eu vi a química. Passa dos limites. Matteo disse. Ele se solta na cadeira, em completa exasperação. Dou risada. Não sei se é porque já bebi Martini demais, mas isso é muito engraçado. — Não importa. Nós já fizemos amor, mais de uma vez. Minha explicação não parece satisfazê-los, já que todos continuam me estudando com olhares desconfiados. Não sei se eu mesma fiquei satisfeita com a explicação, mas, já faz 3 dias, e tenho resistido à incrível tentação de ligar, e ele não me ligou, provavelmente ocupado com alguma coisa de matar pessoas. — Podemos mudar de assunto, por favor? Peço. — Saímos hoje para nos divertirmos, não para analisar os detalhes da minha vida s****l — Vamos brindar? — A vida! Viro o restante de meu Martini e levanto o copo, concordando. — Sim, a vida. Matteo e minha irmã correm para a pista de dança quando ouvem Flo Rida e Sia cantando “Wild Ones”, deixando Emily e eu encarregadas de pegar os drinques. Peço a primeira leva e levo as bebidas de Matteo e Bailey, colocando-os em um balcão próximo à área onde os dois fazem passos de dança engraçados. Quando volto para a companhia de Emily no bar, ela está conversando com um homem. Ela não o conhece, e sei disso porque elevou em alguns níveis a medida de seu flerte. Assim que me aproximo, ela fala por sobre a música: – Chloe, este é Matt. Dou um sorriso, estendendo a mão educadamente. Ele me parece bem normal. — Oi, muito prazer. — Sim, você também E imediatamente volta sua atenção para Emily, pousando a mão em seu traseiro e a conduzindo para um canto. Ela não o impede. — Oi gatinha. Viro para a voz estranha e vejo um homem da minha idade vindo na minha direção. Ele me agarra, me apertando contra o peito, me deixando totalmente surpresa. — Como você está? — Bem. Me afasto dele. — Você está bonita. Ele diz, alegre. — Quer uma bebida? — Não, estou bem. Ele começa a parecer incomodado, agindo de maneira nervosa e evasiva, o que me deixa incrivelmente desconfortável. Bebo um gole de Martini, olhando para ele por cima da borda da taça, enquanto ele se mexe e brinca com a borda do próprio copo. — Eu vim com uns amigos. Ele diz, firme e conciso. Minha taça para no ar, e ele prossegue. — Quer se juntar a nós? — Estou com meus irmãos. — Nós somos jovens, não há nada de m*l, sentarmos para conversar, nós conhecermos melhor. Dou risada, sem querer parecer tão condescendente, mas o sentimento vem naturalmente. Não há nada demais conversar com pessoas da minha idade, passei os anos na faculdade ignorando os convites para sair, talvez eu comece a mudar isso. Viro para deixar a taça vazia sobre o balcão e mais ainda para me e, quando volto, ele foi retirado de minha frente. Levo alguns segundos para entender os eventos que se desenrolam diante dos meus olhos, mas quando compreendo, fico revoltada. Diego o está segurando contra um pilar, apertando firmemente o pescoço daquele pobre homem. — Cuidado com onde coloca as mãos. Diego rosna diante do rosto assustado do homem. De onde ele surgiu? Era só o que me faltava esta noite, supostamente livre de homens arrogantes. — Deixe ele, Diego. Não estava fazendo nada demais. O jovem me olha agradecido, ciente de que não é exatamente verdade. Acaricio o braço de Diego gentilmente em uma tentativa de acalmá-lo, ignorando quanto ele é forte e quente. Ele parece capaz de explodir de raiva. — Quem diabos é ele? Diego vocifera, fazendo o jovem e eu encolhermos. Não quero responder. Deus, a impressão que dá é que ele seria capaz de matá-lo. — O que está acontecendo? Emily se aproxima, rapidamente percebendo a situação, boquiaberta ao ver o garoto subjugado. — Diego, solte-o. Ele não parece estar ouvindo. O que devo fazer? Já estou descontrolada, e ele nem olhou para mim ainda. Não posso sair e deixar o jovem aguentar o peso da raiva injustificada de Diego, mesmo que o considere um i****a. Meu alívio é indescritível quando vejo Alonzo aparecer. — Alonzo, por favor, cuide do babaca do seu amigo. Viro para Emily. — Vamos. Os olhos de Emily se iluminam como as luzes de Blackpool com a chegada inesperada de Alonzo, e posso ouvi-lo calmamente persuadir Diego a soltar a garganta do jovem enquanto arrasto minha amiga para longe, em direção à pista de dança. — O que foi aquilo? Ela pergunta. — Nem queira saber Murmuro. — O que houve com Matt? — Era um perfeito cafajeste. Vamos Ela vai na frente. — Vamos dançar. Matteo e Bailey nos recebem com acenos na pista, meu estado anterior de tranquilidade roubado e afogado pelo m*l-estar. Meia-hora depois e uma música boa atrás da outra, não vi nem ouvi falar de Diego. Alonzo deve tê-lo tirado dali, estou livre para retomar a grande noite que estava tendo. Sinalizo para Emily que vou para o bar, sorrindo quando ela assente rebolando e rindo. Enquanto espero para ser atendida, o incômodo aumenta, e sei que é porque ele ainda está aqui. Cada fio de cabelo na minha nuca se arrepia quando viro e vejo Diego encostado no mesmo pilar em que prendeu o jovem não faz nem uma hora. Seu olhar severo me perfura, enquanto Alonzo e o outro cara conversam e bebem. Diego não participa do papo. Não, ele parece tão enfurecido quanto antes, me atravessando com o olhar. O barmen toca meu braço para chamar minha atenção, e eu me viro, aceitando a bebida que ele oferece do outro lado do balcão. Pago e tento sair dali, mas não consigo me mover. Posso sentir seus olhos me queimando as costas. Sei que deveria sair de perto, mas o efeito magnético que ele tem sobre mim me faz querer ir até lá. Sou instantaneamente engolida por aqueles olhos, completamente imobilizada. Só consigo pensar em sua voz, seu cheiro, seu toque. O poder implacável que ele tem sobre mim encobre minha inteligência, e meu coração bate descompassado nos meus ouvidos. Ele vem na minha direção, e posso ver Alonzo olhar para mim também, enquanto Diego deixa o grupo. Deixo minha bebida no bar e saio pela multidão, empurrando pessoas pelo caminho quando minha retirada chega a uma situação preocupante. Chegando à rua cambaleando, não perco tempo em tentar pedir um táxi, mas quando o ouço gritar meu nome, começo a correr, em desespero. Não vou muito longe. Ele me alcança facilmente, me levantando do chão e me levando a uma rua lateral, enquanto grito e soco suas costas se é que isso serve para alguma coisa. Sou colocada no chão e, recostando na parede, tento levar ar para os pulmões. Não posso olhar para ele, vou me render. Preciso não estar nessa posição! — Chloe, olhe para mim. Balanço a cabeça e tento escapar, mas ele me prende com facilidade. — Pelo amor de Deus, Chloe. Mas minha segunda tentativa de fugir é tão infrutífera quanto a primeira. Noto sua respiração acelerada, sua camisa preta subindo com o movimento de vaivém do peito. Então desesperadamente fixo o olhar em sua calça jeans, sabendo que, se eu olhar para seu lindo rosto, fico em desvantagem instantânea. — Chloe, olhe para mim. Ele exige, ríspido. Tampo os ouvidos com as mãos, agachando até me sentar no chão. — Chloe por que está fazendo isso? Ele pergunta. Começo a cantarolar e fico olhando para o chão, mas logo sinto as mãos dele se fecharem nos meus punhos enquanto destampa meus ouvidos. Libertando uma de minhas mãos, ele me segura pelo queixo, levantando-o para que eu não tenha outra opção senão olhar para ele. Seus olhos estão brilhando. Uso minha mão livre para enxugar as lágrimas do rosto, subitamente horrorizada por estar, mais uma vez, chorando por causa dele. — Você me persegue, me come até eu perder os sentidos e então desaparece por três dias. E nem sei por quê! Consigo soltar minha outra mão. — Agora você aparece, atropelando minha noite. Ele é quem desvia os olhos agora, envergonhado. Levanto, deixando-o agachado, mas ele estende o braço e me segura pelas pernas. O medo que tenho de seu toque provocante é justificado. Fico imediatamente na defensiva enquanto o calor que emana de suas mãos se espalha como fogo pelas minhas veias. — Diego, me deixe ir. Peço, com toda a firmeza que minhas cordas vocais trêmulas permitem. Ele me olha de baixo para cima. — Não. Ele fica de pé, passando as mãos pela parte de trás de minhas pernas durante o movimento. É como se uma bomba fosse detonada entre minhas pernas. — Eu estava bravo. Ele diz em voz baixa, se aproximando. — Você ainda está bravo. — Acabei de ver um cara babando em cima de você! — Ele não estava babando! — Vou beijar você agora. É aquele tom, e sei que estou perdida. — Você tem sorte, porque se estivesse em qualquer outro lugar, estaria recebendo um lembrete… nesse… exato… momento. Fico sem fôlego quando ele dá o único passo necessário para preencher a lacuna entre nós e, com a parede atrás de mim, não há escapatória. — Gostei do seu vestido. Ele murmura, acariciando meu braço nu com a ponta do dedo. — É curto demais, mas eu gosto. Ele se inclina para baixo, agora acariciando meu pescoço com o rosto e gemendo. Meus joelhos fraquejam. Maldito. Maldita eu, também. Meus olhos se fecham sem querer, minha cabeça se vira para seu hálito quente no meu pescoço, minha força de vontade é pulverizada ao vento, fácil assim. É impossível. Ele é impossível. Sinto Diego abaixar ligeiramente, seu braço me envolve por baixo do traseiro e, num movimento sem esforço, ele endireita as pernas e me levanta do chão. Estou segura contra seu peito olhando aqueles olhos azuis brilhantes. Fim de jogo. — Você tem alguma ideia do que faz comigo?
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