Luna passou o dia inteiro trancada no quarto. As refeições, a empregada levou para cima; com Aline, não trocou uma única palavra. O silêncio pesava, sufocava. Quando a noite caiu, desceu devagar, com passos hesitantes, e se jogou no sofá da sala. O relógio da parede já passava das dez. O filme na televisão era uma comédia romântica, mas ela não prestava atenção — ria sem achar graça, mais para se distrair do que por real interesse. A porta da frente rangeu. Gabriel entrou. Estava um pouco curvado, como se o peso do próprio corpo fosse um fardo, e apoiou discretamente a mão no lado das costelas, tentando disfarçar a dor que insistia em latejar a cada movimento. Quando viu Luna ali, seu primeiro impulso foi seguir direto para o quarto. Mas parou. Suspirou fundo, passou a mão pelo cabelo, e

