Naquela noite, Rita foi em direção ao quarto do filho com um sorriso diferente no rosto. Não era exatamente alegria, tampouco ironia, era aquele tipo de expressão carregada de expectativa, como quem acha que sabe mais do que o resto da casa inteira. Gabriel estava sentado na cama, encostado na cabeceira, a pequena televisão ligada diante dele. As imagens passavam sem que ele realmente as visse. O olhar estava perdido, distante, e só voltou ao foco quando a porta se abriu. — Filho? — Rita chamou, apoiando-se no batente. Gabriel se endireitou quase de imediato, desligando o som da televisão. — Oi, mãe. — Sorriu, automático. — Precisa de ajuda com alguma coisa? — Não — ela balançou a cabeça. — Já encerrei tudo por hoje. Entrou no quarto e fechou a porta atrás de si, caminhando alguns pa

