As malas foram arrumadas na companhia do pai. Luna estava sentada no chão do quarto, dobrando roupas com um cuidado quase exagerado, como se cada dobra fosse um jeito de organizar também a própria cabeça. Estava animada naquele momento, havia algo de empolgante na ideia de ir embora, de recomeçar. Reinaldo, por outro lado, mesmo brincando e fazendo comentários irônicos aqui e ali, não conseguia esconder o incômodo. O sorriso vinha fácil, mas não alcançava os olhos. Ali, sentado na beira da cama, observando a filha fechar a última mala, ele parecia travar uma batalha silenciosa consigo mesmo. Quando terminaram, Luna se deitou e apoiou a cabeça no colo do pai, olhando para o teto. — Vai se despedir das suas amigas onde? — Reinaldo perguntou, passando a mão distraidamente pelos cabelos del

