O corredor estava silencioso, iluminado apenas pelas luzes amareladas dos abajures. Subiu os degraus devagar, sentindo a casa respirar aquele clima de guerra fria. Bateu algumas vezes na porta do quarto da filha. Nenhuma resposta. Mais duas, mais fortes. Finalmente, a maçaneta girou. Luna abriu devagar, visivelmente contrariada. Os olhos estavam inchados, a ponta do nariz avermelhada. Passou a mão pelo rosto numa tentativa frustrada de disfarçar. Ao ver o pai, relaxou um pouco os ombros. — O que foi que aconteceu com você, minha boneca? — perguntou com voz doce, quase infantilizada, inclinando-se para fitá-la. — Esteve chorando? — Vai me dizer que ninguém lá embaixo contou o motivo? — retrucou, cruzando os braços. — Gabriel falou que você o viu com uma mulher. — Reinaldo também cruzou

