O quarto de Luna estava em meia-luz, iluminado apenas pelo abajur de canto. As paredes claras refletiam um perfume doce que parecia se misturar com o cheiro do incenso ainda queimando na mesinha. Gabriel entrou hesitante, deixando a porta entreaberta. — Sério que vai deixar a porta aberta? — Luna arqueou uma sobrancelha, debochada. — Claro — ele respondeu, num fio de voz. — Teu pai tá na sala, tua mãe no quarto, e a minha mãe na cozinha. Isso aqui já tá virando suicídio. Ela deu uma risadinha e foi até a porta, girando a chave devagar. — Pronto. Agora estamos trancados. Gabriel passou a mão pelos cabelos, inquieto, os olhos seguindo cada movimento dela. — Luna… Mas ela já se aproximava como uma predadora, passos lentos e olhar fixo nele. Ele recuou um passo. — Você quer. — ela disse

