O quartinho de Gabriel era pequeno e abafado, com paredes brancas já amareladas pelo tempo e uma janela minúscula que deixava entrar apenas um fio de luz. A cama estreita rangia sob o corpo dele, que permanecia deitado de costas, olhos fixos no teto como se buscasse ali uma fuga para o turbilhão em sua cabeça. Rita parou na soleira da porta, hesitou um instante e então entrou, fechando atrás de si. — Já está mais calmo? — perguntou em voz baixa, quase cuidadosa. — Espero que sim, porque tenho mais coisas pra falar. — Do mesmo assunto? — retrucou sem virar o rosto. A voz saiu seca, contida. — Se for, não estou interessado. Ela respirou fundo e se aproximou, sentando-se na beira da cama. — Filho... você entende por que eu fiz o que fiz? — tentou, mas ele permaneceu em silêncio. — Eu e A

