Gabriel chegou em casa, almoçou rápido e foi direto pro banho. A cabeça ainda latejava com o constrangimento da manhã — ele, enrolado num lençol ao lado da filha do patrão, dormindo no colchão jogado no chão. A mãe gritando, Aline paralisada, Reinaldo gargalhando no batente da porta. Era uma lembrança que ele jamais queria revisitar. Saiu antes que Rita resolvesse reabrir o assunto. Vestiu o terno, ajeitou o cabelo e pegou o ônibus até a construtora. Era o primeiro dia depois do escândalo, e a simples ideia de encarar o sogro no ambiente de trabalho já o deixava tenso. O prédio espelhado da Construtora Diniz & Associados brilhava sob o sol. Gabriel subiu ao último andar, tentando se convencer de que seria um dia normal. Mas bastou atravessar a porta da sala principal para perceber que n

