Laila
Desci do táxi e ajeitei com cuidado a minha bolsa no ombro. Eu estava vestindo um vestido preto que ia até o meu joelho e se ajustava ao meu corpo apenas o suficiente para mostrar as curvas, mas não demasiado a ponto de ser sexy demais. Nos pés eu estava usando um scarpin preto. Meu cabelo ruivo estava preso em um coque francês e estava usando apenas um pouco de maquiagem apenas o suficiente para apresentar um rosto mais corado e descansado.
Eu tinha uma entrevista para o cargo de assistente executiva na empresa Cartier. Era uma ótima empresa para começar, o salário era bom e me abriria outras oportunidades. No mesmo instante em que parei em frente o prédio de vinte andares, não pude deixar de me virar para o lado oposto da rua, onde eu sabia que ficava o prédio mais opulento da cidade, o prédio da multinacional Delacroix. O prédio gritava dominância e suntuosidade, todo o seu externo em vidro espelhado, era o sonho de qualquer mulher de negócios trabalhar lá. Mas eu ainda chegaria lá, eu estava apenas começando. Eu ainda estava olhando para o prédio mais lindo que já vi do outro lado da rua, quando um maserati preto para do outro lado da rua e dele desce um homem de terno cinza, ele está de óculos escuros, mas mesmo assim ele parece familiar. Ele se abaixa e pega algo no carro e quando se levanta fechando a porta seu olhar passa pela calçada em que estou, tenho a impressão que ele passa os olhos por mim num reflexo e em seguida volta a olhar mais atentamente, mas é difícil ter certeza já que ele está de óculos escuros. Seus cabelos são uma massa de fios sedosos castanho escuro... Onde eu já vi esse homem? Ele continua lá parado olhando nessa direção e comecei a me sentir meio boba por apenas presumir que deveria estar olhando para mim, eu não era tão especial assim. Provavelmente ele estava olhando para o prédio atrás de mim. Pensando nisso, viro em direção a entrada do prédio e entro pelas portas já sentindo o ar gelado do ar condicionado em relação ao sol de outono que está fazendo lá fora.
Passo pelos seguranças da porta e me aproximo da recepção onde tem uma senhora de talvez uns quarenta anos de cabelos pretos e um coque elegante, assim que me vê ela me dá um sorriso simpático.
— Olá bom dia! Eu tenho uma entrevista para o cargo de assistente executiva.
— Bom dia! Ah sim, claro. Poderia me informar seu nome. — Ela olha para um papel a sua frente.
— Meu nome é Laila Green Roux. — Ela assente, colocando um sinal de confirmação ao lado do meu nome na sua folha de papel.
— Por favor Laila, suba até o décimo quinto andar, vire a esquerda, lá haverá outra recepção, dê o seu nome a moça que estará lá e aguarde que ela avisará ao senhor Meireles, ele irá conduzir sua entrevista.
— Está certo, obrigada. — Caminho até o elevador e subo até o décimo quinto andar. Me aproximo da recepção, dou meu nome e sou encaminhada para uma antessala onde tem mais duas mulheres que também irão fazer a entrevista esperando. Cumprimento ambas e elas respondem, mas percebo que não estão muito a fim de assunto, então também fico quieta. Utilizo esse tempo para reorganizar os pontos que acho importante para mencionar na entrevista e conferir meu currículo que trouxe dentro de uma pasta. Quando por fim sou chamada, entro e me encontro de frente a um homem de altura mediana, na faixa dos seus trinta e cinco anos talvez, de cabelos castanhos claros e olhos castanhos.
— Por favor, sente-se. Laila não é?
— Obrigado. Sim, isso mesmo. — Ele me analisa alguns instantes e em seguida olha na sua ficha.
— Você aparenta ser bem jovem Laila. Trouxe algum currículo?
— Sim, claro. Aqui está. — Digo, entregando a ele a folha que tiro da minha pasta. Observo enquanto ele lê todas as informações.
— Então... Harvad não é? Muito interessante seu currículo. De fato o melhor que analisei hoje. Ainda assim estou te achando muito nova em relação as demais candidatas. Quantos anos tem Laila?
— Tenho vinte e dois anos, mas garanto que a idade não irá atrapalhar em nada, sou muito eficiente, sempre dou o melhor de mim em todas as atividades em que me dedico, também aprendo rápido, você não irá se arrepender se me contratar. — Começo a tagarelar sem parar tentando aumentar minhas chances de conseguir esta vaga. — Ele dá um breve sorriso.
— Estou vendo. Parece mesmo, muito interessada nessa vaga.
— Sim, eu me formei a pouco tempo e atualmente ainda estou morando nos dormitórios da faculdade, mas em alguns dias terei que sair de lá e preciso arrumar um emprego para também conseguir um outro lugar para ficar.
— Certamente conseguirá logo, tenho certeza. — Assinto, tentando ficar mais calma e confiante e ele volta a olhar meu currículo. — Aqui diz que você fala três idiomas: inglês, italiano e espanhol.
— Bem, na verdade o espanhol eu falo apenas a nível de uma breve conversação, mas consigo entender muito bem. Não fiz o curso, mas aprendi nos primeiros anos da escola e tenho um amigo do qual o espanhol é sua língua materna, então sua comunição comigo por vezes gira em torno deste idioma.
— Excelente, pode me dar uma breve demonstração do seu italiano?
— Chiaro. Bene, vorrei dire che sono molto felice di partecipare a un'intervista con un'azienda rinomata come Cartier. (Claro. Bem, gostaria de dizer que estou muito feliz em participar de uma entrevista com uma empresa renomada como a Cartier.)
— Siamo molto felici di accoglierla Signorina Roux. (Estamos muito felizes por lhe dar as boas-vindas senhorita Roux.) — Ele se levanta sorrindo e estendendo a mão para apartar a minha. Meus olhos se arregalam um instante com duvida se eu entendi certo o que ele disse.
— Estou sendo contratada?
— Com certeza está. Estou muito satisfeito com as informações do seu currículo e tenho certeza que você irá agregar muito a esta empresa. — Ele diz.
— Que maravilha! Muito obrigada, eu não sei como agradecer. — Digo apertando sua mão sorrindo.
— Apenas faça um bom trabalho e não faça nada que possa desabonar essa contratação que estou fazendo nesse momento.
— Claro, eu farei o meu melhor, pode contar com isso. — Digo ainda, sem me conter por ter finalmente conseguido dar mais um passo para conseguir me estabilizar na vida.
— Eu conto com isso. — Ele me conduz até a porta. — Agora vá até o departamento pessoal, deixe suas informações lá que eles irão fazer um crachá para você.
— Sim, muito obrigado novamente senhor Meireles.
— Me chame de Henrique. Certamente ainda nos encontraremos pelos corredores da empresa, mas desde já lhe desejo sucesso e boa sorte no novo começo Laila.
— Obrigado. — Digo novamente com um sorriso e vou em direção ao departamento pessoal, onde deixo todas as minhas informações, segundo eles já começo a trabalhar daqui a dois dias. Hoje era segunda, então quarta eu começaria. Meu horário era de oito às cinco da tarde. Quando passo pelas portas da Cartier o sol de outono novamente me cumprimenta, aquecendo minha pele do frio que o ar condicionado central da empresa colocou na minha pele. Olho em volta e o Masserati preto ainda está do outro lado da rua estacionado, era realmente um belo carro, embora eu nunca tenha sido muito materialista, mas eu sabia admirar um carro como aquele. Vou mais próximo a beirada da rua, faço sinal para o primeiro táxi que vejo e volto para casa. Preciso começar a organizar algumas coisas e também começar a procurar um apartamento logo. Mas nada poderia estragar meu dia hoje. Tudo estava indo muito bem.