Laila
No dia seguinte, começo a procurar um lugar para morar e eu passei por pelo menos cinco apartamentos, mas não achei nada que fosse caber no meu orçamento, eu já estava ficando preocupada. Massachusetts era um lugar lindo, eu gostava de morar aqui, mas eu nunca tinha precisado pagar um apartamento, já que tinha vivido parte da vida num orfanato. Amanhã eu já seria o meu primeiro dia no trabalho, então eu não teria tanto tempo para procurar, o que eu faria se não conseguisse achar nada a tempo?
Quando volto para os dormitórios no final da tarde, meus pés estavam me matando pelo tanto que eu tinha andado e não tinha conseguido nada o que era pior. Eu estava na porta de entrada para o meu dormitório quando vejo Javier vindo na minha direção.
— Que surpresa! — Dou um abraço nele.
— Espero que boa. — Ele diz sorrindo.
— Claro que boa, venha entre.— Quando já estávamos sentados na minha cama começamos a falar.
— Como foi a entrevista de emprego?
— Foi ótimo, eu consegui o emprego. Começarei amanhã.
— Que notícia ótima! Meus parabéns! Eu sabia que ia conseguir. — Ele diz.
— Obrigado. Significa muito para mim essas palavras acredite. — Como eu nunca tive ninguém que vibrasse com as minhas conquistas, eu sabia valorizar quando eu ouvia algo assim.
— Bom, se não é o emprego o que era que estava pondo aquela cara de preocupada em você assim que cheguei aqui. — Claro que ele tinha percebido. Tínhamos crescido juntos e passado por muitas coisas juntos também.
— É que eu fui ver alguns apartamentos hoje e não achei nenhum que estivesse dentro do meu orçamento e tenho apenas alguns dias antes dos dormitórios fecharem, estou começando a ficar com medo de não achar nada e acabar na rua.
— Ei, isso não vai acontecer ok?— Ele toca meu rosto com carinho. — Por que não vem morar comigo? Eu tenho um quarto vago, não é nada muito grande, mas pelo menos você terá um lugar.
Meus olhos se iluminam considerando sua proposta, mas eu também não queria atrapalhar o Javier. Ele assim como eu, estava começando a conquistar sua independência e eu odiaria ser um peso para ele.
— Eu não quero te atrapalhar Javier.
— Não irá atrapalhar e pense como um início, você logo crescerá na sua carreira e poderá ter o seu próprio muito em breve. Enquanto isso podemos dividir o meu. — Suas palavras me tranquilizam.
— Está certo, mas eu pretendo ajudar com o aluguel e as demais contas.
— Tudo bem. Vai ser bom para mim também. Eu ainda não estou totalmente estabilizado e nem sempre pego campanhas boas de trabalho, então tem meses que são mais apertados do que outros.
— Te ajudarei em tudo que puder e obrigado por essa oferta. — Digo lhe dando um abraço.
— Não precisa agradecer. Quer começar a arrumar as coisas logo? Aproveito que estou aqui e te ajudo. — Pensei um momento. Seria uma boa começar a ajuntar as coisas logo. Depois de amanhã eu só teria tempo livre a noite e nos fins de semana, então seria melhor aproveitar logo a oferta do Javier.
— Sim, vamos começar a juntas as coisas.
—Depois de duas horas eu já tinha dobrado todas as minhas roupas, empilhado meus livros em cima da cama, embrulhado os meus itens pessoais e colocado tudo em cima da cama, Javier tinha saído um instante para ver se arrumava algo para transportar as coisas. Quando ele voltou tinha algumas caixas nos braços.
— Onde conseguiu essas caixas? — Pergunto. Elas seriam ótimas para transportar minhas coisas.
— Consegui aqui na própria universidade, são caixas de livros, iam ser jogadas fora.
— Entendi. Que bom que você conseguiu elas. Agora me ajude a colocar minhas coisas nelas. — Quando terminamos de pegar tudo e encaixotar tudo, chamamos um táxi e fomos direto ao seu apartamento.
O apartamento do Javier era simples. Havia uma sala pequena com sofá de dois lugares, uma poltrona, uma tv e uma mesinha pequena. A cozinha também era bem modesta, havia uma pequena mesa, geladeira, fogão e a pia também não era muito grande. Havia um banheiro pequeno no corredor e um outro dentro do quarto, mas não era muito maior que o outro. De qualquer forma eu estava muito feliz com meu espaço. O quarto que eu ocuparia só tinha um colchão inflável por enquanto, mas eu compraria um guarda-roupa e uma cama o mais rápido possível. Enquanto isso eu deixaria minhas coisas na caixa mesmo. Javier olha o colchão inflável um pouco envergonhado.
— Me desculpe gata, eu esqueci que íamos precisar de alguns móveis..
— Ei, não se preocupe. Você já me ajudou bastante. Amanhã ou depois irei comprar os móveis para esse quarto e irei deixar ele com meu jeito. Você vai até morrer de ciúmes da minha decoração.— Digo batendo meu ombro com o dele e ele começa a rir disso.
— Eu não duvido disso. — Ele fala. — Mas enquanto você não compra, se quiser pendurar algumas roupas no meu guarda-roupa para ficar mais fácil de você pegar e se organizar, até mesmo para poder ir trabalhar, fique a vontade. — Era uma boa ideia. Isso iria facilitar a não amarrotar as roupas.
— Eu irei aceitar. Irei passar as roupas que irei usar amanhã e depois de amanhã e irei pendurar lá, mas se eu conseguir um tempo irei comprar o que eu preciso amanhã mesmo, e tentarei ver se consigo que façam a entrega até o final de semana.
— Isso. — Ele se aproxima e passa o braço sobre os meus ombros. — Seja bem-vinda gata, agora oficialmente.
— Obrigado, não sei o que eu faria sem você você.
— Sei que você faria o mesmo por mim. Aliás, você já fez muitas vezes, quando eu estava perdido na promiscuidade e nas drogas.
— Ei, você sempre pode contar comigo. — Digo olhando em seus olhos e era verdade. Javier era como o irmão que eu não tive ou como a família que eu não tive. Passamos por muitas coisas juntos e sabíamos pelos eventos dolorosos que nós dois tinhamos passado. Mas eu não pensaria nisso, eu não deixaria o passado sair do fundo onde eu o tinha enterrado.
— Obrigado. — É tudo que ele diz e eu sei que ele também está pensando nas mesmas coisas que eu estava a alguns instantes.