Mia
Eu não consigo me acalmar.
Não importa o que eu faça, ou o que eu pense, sigo furiosa.
Já organizei as minhas roupas no closet, limpei e organizei o meu quarto e programei a minha semana, com base na grade que recebi, com uma lista de coisas que vou precisar comprar e mais 15 locais que estão precisando de garçonetes para buscar um emprego de meio período. Tomei um banho e terminei um livro, enquanto lavava as minhas roupas, mas ainda sinto que sou capaz de rasgar a cara linda de Thomas Bradford inteira.
Quem ele pensa que é?
A casa, agora vazia, está silenciosa e depois que eu explorei cada canto, sei exatamente como as coisas parecem funcionar aqui.
Esses animais não comem nada de saudável, com base no que encontrei na geladeira.
Embalagens de fast food comprovam que eles comem porcarias todos os dias e vivem à base de café. É essa constatação que me faz pegar 50 dólares de um pote escrito “dinheiro da comida”, roubar o carro do meu irmão, que foi ao treino na picape do Tom, e ir em busca de um mercado. Enquanto dirijo pelo campus, seguindo o GPS até um mercado próximo, calculo o quanto de macarrão vou precisar e quanto tempo tenho para fazer.
6 homens idiötas dividindo o mesmo teto é a receita para o caos, e se existe uma forma de ganhar do “capitão” é vencê-lo por um caminho novo. Pelo estômago dos meninos.
Agradeço ao meu pai mentamente pelos anos que a minha casa vivia cheia de meninos típicos como esses, e das receitas que ele me ensinou para matar a fome que eles sentem depois do treino.
Macarronada é fácil e consigo fazer uma quantidade boa com 50 dólares. Semana que vem posso tentar um assado. Não que eles mereçam… Mas eu preciso disso. Preciso manter a minha mente e mãos ocupadas para não cometer um assassinato.
Hoje é sábado, então eles devem surgir em casa pelas 14. Normalmente, o treino dos sábados é composto por jogadas ensaiadas durante duas horas e dois jogos completos, pelas duas horas seguintes, arrancando o melhor deles. Era o meu dia favorito da semana na adolescência, porque eu sempre era chamada para jogar no finzinho, quando os meninos já estavam mortos. E posso me gabar de correr mais que o meu irmão. Pelo menos quando recebia a bola do capitãozinho de merdä.
Rosno sem perceber assim que estaciono o carro na frente da casa, que agora, na luz do dia, me parece muito mais com uma mansão do que com uma casa. Tudo ao redor grita o sobrenome Bradford e aposto o meu dedinho que o pai do Tom comprou a casa e ele divide com os amigos, para não precisar ficar sozinho nesse lugar enorme.
São 6 quartos, 3 com suites e mais um banheiro em cima e um embaixo. Uma super cozinha, lavanderia, sala de jantar e uma sala de TV e outra que parece ser de jogos. O jardim da frente é grande, mas o do fundo tem uma piscina e área para churrasco. Quase consigo ver as festas que esses animais conseguem dar aqui.
A fachada é branca, mas leva o logo do time desenhado enorme em cima da porta. Analiso a frente, me dando conta de uma rede em um canto e já começo a fazer planos, porquê ler ali vai ser ótimo.
Sigo para a porta lateral, a que dá na cozinha, segurando o saco do mercado e bufando, porque, continuo pistola, quando quase desmaio com o meu nome sendo chamado.
- Miaaaa! - Arregalo os olhos para a menina, que saltou das escadas da porta e veio correndo na minha direção. Ela deve ter a minha altura, com os cabelos loiros e os olhos verdes. A expressão angelical dela me assusta um pouco, porque ela vai ficando cada vez mais vermelha conforme se aproxima de mim. Estou congelada no lugar, segurando a sacola com toda a força quando ela para na minha frente. - Sou a Ashley Mitti. - Pisco, tentando lembrar se a conheço. - O Mat me ligou e disse que você precisava urgente de uma garota para conversar. Algo sobre o Tom…
Estou rosnando de novo, mas ela não se abala diante da minha raiva.
- Eu sou legal, juro. - Ela aponta para a casa - E lido com esse animais faz 1 ano, então, sei uma coisa ou outra… - Gosto dela imediatamente.
- Certo, abra a porta, porque eu coloquei um vinho pra gelar antes de ir ao mercado e odeio beber sozinha. - Ela sorri largo, quando pega a chave da minha mão e abre a porta.
- Achei que você ia ser mais resistente. - Ela declara, tirando a sacola das minhas mãos.
- Você os chamou de animais, exatamente como eu chamo na minha cabeça.
- Identificação. - Falamos ao mesmo tempo, e suspiro, porque a minha amizade com a Jess começou exatamente assim. Por identificação. Eu só não sabia que ela teria uma identificação tão profunda, a ponto de querer o päu do meu noivo.
- O que é tudo isso? - Acho que ela percebe a minha hesitação, porque muda o foco do momento fofo de garotas, o que me faz gostar mais ainda dela.
- Comida. Pior que 6 animais no mesmo ambiente, são 6 animais exaustos e famintos.
- E desesperados por uma festa.
- Festa? - Me ouço perguntar, enquanto tiro os 4 pacotes de macarrão e duas latas de molho da sacola, com temperos.
- Quintas fazemos a festa da vitória ou da derrota, é normalmente dia de jogo. - Ela começa a explicar e eu assinto, já me movendo pela cozinha. Ela se move também, e coloca água numa panela grande. - Sextas, festa do time e as suas potenciais garotas. Nenhum deles namora, mas três meninos tem casos fixos ou amigas, como é o meu caso com o seu irmão. - Encaro ela, mas logo desvio o olhar, pegando uma faca e tábua para picar as coisas. - Sábado, festa em parceria com as fraternidades. Um sábado em cada uma, hoje será aqui.
Inevitavelmente olho no relógio da cozinha e ela suspira.
- Às 14:15 eles entram por essa porta fedidos, suados e lindos. - Ela dá um sorrisinho. - A Vera mudou para sexta, porque ela odiava ver o trabalho dedicado dela ser estragado por chuteiras e suor.
- Vera, a moça que limpa a casa? - Questiono, enquanto lavo a mão.
- A senhora que limpa a casa. - Ela esclarece. - Ela deve ter uns 60 e honestamente, acho que ela poderia morar aqui, porque eles ficam muito mais comportados nesses dias. - Dou um sorriso para ela e recebo um em resposta. - Quando o Kit mudou, o Tom chamou ela para ficar aqui na semana, ofereceu uma verdadeira fortuna, mas ela disse um não enorme.
Sinto uma gargalhada nascer, enquanto começo a picar as coisas.
- Temos uma hora, então, me conte tudo.