Amizade destinada

1014 Words
- Temos uma hora, então, me conte tudo, Cada detalhe sórdido de como vamos matar o Capitão! - Ela pede e eu encaro a moça diante de mim, desesperada para contar tudo, mas não posso. Ela é amiga do Mat, e mesmo que ele soubesse da minha paixão reprimida, já se passaram 5 anos, talvez ele ache que acabou. - Olha, sei que acabou de me conhecer, e que deve estar pensando: Ela vai contar para o meu irmão… Mas, entenda. Eu precisei me adaptar para conseguir viver entre esses caras, e o Mat me ajudou, porque ele parece ser o mais controlado deles. E ele sempre fala que é graças a você. Então, como presidente do time de líderes de torcidas, tenho uma dívida de gratidão contigo. - Ok… - Encaro a menina a minha frente, e eu preciso analisar a moça angelical diante de mim mais uma vez, depois dessa informação. - Líder de torcida? Nem fudendö… - Falo e ela dá uma risada gostosa. - A minha aparência engana, mas eu não sou delicada como pareço. Na verdade, gosto de cerveja, muay thai e futebol americano. Ser líder de torcida é só uma coisa que faço desde o colegial. - Certo, agora eu quero ser sua amiga. - Interesseira. - Ela me acusa e estou rindo. Conversar com a Ash é fácil. Sim, ela me corrigiu duas vezes, e adotei o apelido, da mesma forma que peço que as pessoas me chamem de Mia, porque Amélia parece muito sério. Ela me explica como funciona a rotina da casa, basicamente, e me orienta sobre limites quanto a ser a única mulher aqui, garantindo que todos eles sabem limpar, lavar e cozinhar. Disse que passou alguns dias hospedada aqui quando mudou; por isso, entende a rotina da casa, mas não aprofunda sobre a amizade com o meu irmão, então faço uma nota mental sobre isso, para questionar em outro momento. Estou na segunda taça de vinho, e ela ainda na primeira, quando começamos a falar dos animais. - Ele parecia que ia matar os meninos. Eu nem fui apresentada a eles. - Explico, depois que ela me pergunta o motivo de ter brigado com o Tom. - Um verdadeiro macho alfa, sabe? - Vamos lá. - Ela fala, depois de dar um longo gole no vinho. Dou mais uma olhada no molho e cálculo quando tenho que colocar o macarrão. - Você entende quanto de futebol americano? - Bem, basicamente tudo. - Ela sorri. - Excelente, então, os meninos têm um comportamento muito parecido com o que atuam em campo. - Levanto a sobrancelha e ela continua. - O seu irmão, como o excelente Wide receiver que é, é rápido e competitivo, que quase beira a loucura. - Assinto, porque o conheço. - Ethan Cooper, é o running back, e nessa casa ele atua como o equilíbrio, exatamente como faz no campo. Levando as pancadas necessárias, mas também batendo com a razão. - Ela estala a língua, exatamente como o meu irmão e eu fazemos. - Ele é o moreno que normalmente passa o café de manhã. - Eu gostei dele, ele tentou intervir por mim. - Lembro do brutamontes que afirmou que eu tinha razão sobre o teime monitorar a minha vida. - Exatamente como um RB deve fazer. Agora, o JJ ou Jackson Tyler, aquele que está sempre de boné… - Eu assinto, porque sei quem é. - Lindo, cheiroso e quieto. - Ela suspira, antes de completar. - Esse você deve ficar longe mesmo, porque assim como na posição de Tight End, ele se adapta fácil as situações e pode ser um fofo romântico ou um cafajeste no espaço de uma hora. - Adaptável e não confiável. - Repito, sorrindo. - Como homem. - Ela explica. - E o Logan é o palhaço. ele vai atormentar eternamente o seu irmão e o Cap pela situação. Ele vai dar em cima de você, mas no fundo, ele não te quer. Acredito que ele tenha uma queda por uma das líderes de torcida, mas é só uma teoria… Enfim, ele se defende muito bem e força os demais a explodirem…- Ela ri da explicação. E eu sigo tentando organizar as informações. - E o B-Man… - Ela pensa por um minuto, antes de explicar sobre ele. - Acho que é Brandon William… Ele é unha e carne com o JJ, e defende o time assim como faz no campo, ou seja, deve estar ao lado do capitão que é… - Thomas Bradford. - Eu falo. - Controlador, sorridente e completamente insuportável, exatamente como é em campo. - Ela pisca e estala a língua de novo. - Controlador e insuportável, sim, mas sorridente? - Ela solta uma risada nervosa. - Eu posso dizer, seguramente, que não vi o Tom sorrir mais de 5 vezes no último ano. - Sério? - Busco na memória e lembro dele sorrindo ontem muitas vezes. - Ele sempre foi sorridente. - Confirmo. - Com você Mia, com o resto do mundo ele é distante e frio. Quase compulsivo quando se trata dos métodos dele. - Metódico ele sempre foi. - Sim, mas a fama dele no campus é de inalcançável. Ele não fica mais de uma noite com nenhuma garota. Nunca. - Nunca? - Eu questiono, porque lembro que no colegial ele era namorador. - Mas, ele segue sendo galinha…? - Ouço a hesitação na minha voz e ela também. - PUTAMERDA! - Ela exclama. - Você é afim dele! - Ela tapa a boca e olha no relógio, e deve fazer algum cálculo mental sobre a chegada dos meninos. - Falaremos disso depois, em um ambiente seguro. - Ela fala e não entendo o motivo de não ter negado. Talvez ela me passe confiança ou eu esteja cansada de negar que gosto mesmo dele. Mas, ter mais alguém sabendo desse segredo é um verdadeiro alívio. Alívio esse que dura menos de dois minutos, porque o Capitão, quarterback em questão, entra na cozinha, exatamente como ela descreveu. Fedido, suado e lindo de morrer.
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