Acélia. Se existe purgatório, eu acabei de passar por ele. Porque não há castigo maior do que estar perto demais de um homem e, ao mesmo tempo, absurdamente longe. É o fim da picada. E que picada. Eu adoraria levar uma picada dele — bem dura, daquelas que arrancam até a alma e deixam a pessoa reavaliando decisões de vida. Mas não. O homem, depois de trocarmos meia dúzia de farpas afiadas, simplesmente se calou. Como se desligasse uma chave invisível. Ele se enfiou no maldito celular e começou a parlare italiano como se estivesse narrando a final da Copa do Mundo, com a língua em modo turbo. Meus ouvidos deram um nó. Mas que diabos de língua rápida do c****e era aquela? Italiano já era uma língua cheia de curvas, mas na boca de Rovanne virava uma metralhadora charmosa. Gestos mínimo

