Angústia

1785 Words
Hillary ainda estava no Austin Tower, já era quase hora do almoço, e Evelline havia ficado ao lado de sua mãe, mas acabou adormecendo ao lado dela. Ela entra no quarto e vê mãe e filha dormindo, até que Olinda tosse, e Hillary pega um copo de água e a oferece. - Não, não, muito obrigada minha querida. - recusa ela, enquanto tenta se sentar na cama, Hillary a ajuda. - A senhora está bem? - perguntou ela. - Sim... - disse ela. Hillary a observa, e vê que Madame Olinda parece profundamente triste. - Sua família sempre foi assim senhora? Madame Olinda dá um riso torto e olha para Hillary, e explica: - Tudo desandou depois da morte da minha mãe... - disse ela com muita amargura. - A senhora se importaria de contar? Digo, se isso a fizer se sentir melhor. - Claro, não há problema, filha. E ela pega o copo de água que Hillary trouxe e dá um gole, em seguida começa a explicar: - j**k e Evelline eram irmãos bem próximos, não vivam um sem o outro, minha mãe e eu sempre fomos muito presentes na infância deles, sempre fomos uma família rica também, vivíamos do bom e do melhor, não que isso tenha mudado hoje, mas eu não consigo mais sentir alegria, mesmo estando rodeada de pessoas e tendo dinheiro. Nada mais traz alegria pra mim. E ela estava com os olhos cheios de lágrimas enquanto contava, Hillary puxou um lenço que estava em cima do criado mudo ao lado da cama, e enxugou suas lágrimas. - Sabe... Muitas desgraças aconteceram, oque acabou resultando na separação dos meus dois filhos. No dia em que minha mãe morreu, eu, meu ex-marido, Evelline e j**k, fomos visitá-la, minha mãe sempre foi uma mulher muito rica, praticamente todo o nosso dinheiro veio dela, mas ela ainda sim quis se internar em um hospital de uma classe baixa apesar de que ela tinha condições de pagar um bem melhor na época, mas ela própria preferiu assim. Evelline só sabia chorar toda vez que pensava na avó, e j**k se manteve frio, ele queria parecer tranquilo, dando esperanças de que ela iria melhorar, sendo muito otimista. Mas a realidade era pior do que nós imaginávamos, primeiro, entrou apenas eu no quarto de minha mãe, nós duas conversamos como velhas amigas, apesar de nós duas termos certeza de que seria a última vez. Ela teve um câncer terminal no útero, que se espalhou para outros órgãos vitais, o'que acabou resultando quase que na perda total de praticamente todos os órgãos, oque fez com que ela só estivesse viva através de aparelhos agora. Mas mesmo assim, ela estava feliz, estava sempre com um sorriso no rosto. Ela não gostava nem um pouco do meu ex-marido, e apesar de também não ter apreciado a presença dele, também o tratou com muita educação. Depois que saímos, foi a vez de Evelline, ela não queria entrar junto com o irmão, queria falar com a avó sozinha. Ela demorou bastante lá, mas logo que saiu, ela trazia um cheque bem gordo, dizendo que a avó dela havia dado aquilo para comprar uma boneca que ela queria muito, e eu ainda lembro, ela sorriu entre lágrimas. E então foi a vez de j**k, ele foi oque menos demorou lá, porque logo ouvimos o choro dele muito alto no quarto. Nós entramos lá, o pequeno j**k estava abraçando o corpo frio da sua avó. Os médicos chegaram, e perceberam que os aparelhos estavam desligados, e isso causou a morte dela, e Evelline, chorando muito, também abraçava o corpo de sua avó, e quando ouviu isso, começou a gritar, acusando j**k de ter matado a sua avó. A Madame Olinda tentou segurar suas lágrimas, mas começou a chorar, e Hillary fazia uma massagem em suas mãos, tentando consolá-la, e Olinda recuperou o fôlego, e retomou a história: - O hospital inteiro ouviu a gritaria de Evelline, que na frente de todos, acusava j**k de ser um assassino, ela tinha 5 anos, e ele tinha 10 anos. Todos olhavam para j**k, enquanto eu tentava separar os dois, mas meu ex-marido me segurava, dizendo que era só coisa de criança. Até que j**k perdeu a paciência, e parou de se explicar, então partiu pra agressão, com toda a força que ele já tinha naquela época, ele deu um soco na barriga de Evelline, oque fez quebrar todas as suas costelas e quase fraturar a coluna da garota. E ela caiu no chão, vomitando sangue, e sendo socorrida por todos os médicos ali presentes, em um único dia eu estava prestes a perder minha filha junto com minha mãe. O meu marido, Willard, saiu dali com j**k, o levando para longe, para afastá-lo da confusão e para que ele esfrie a cabeça. Já eu, passei o resto daquela semana com Evelline, que agora internada, tinha desenvolvido uma pneumonia muito forte, e estava prestes a morrer, eu fui até uma loja de brinquedos que ela adorava e comprei aquela boneca que ela havia pedido pra sua avó, e coloquei ao lado da cama da minha filha. Pouco tempo depois, meu ex-marido entra no quarto, e perguntando como estava Evelline, e eu apenas dizia que ela estava se recuperando, e quando me virei para ele, esperando que ele me consolasse ou dissesse onde j**k estava, ele apenas me disse uma coisa... Que me doeu muito: " Eu e j**k vamos sair da cidade, já fui no juiz e assumi a guarda dele, mas só depois de você assinar os papéis do divórcio." A Madame Olinda estava se afogando em lágrimas, e Hillary a pediu pra parar, pois aquilo não a estava fazendo bem, mas ela disse: - Não! Por favor, eu preciso pôr isso pra fora! E ela deu um outro gole d'água, e continuou a história: - Em resumo, eu não tive outra escolha a não ser assinar os papéis, já que meu marido ameaçou tomar Evelline de mim também, caso eu não assinasse. E eu fiquei sozinha, gastei todo o dinheiro que minha mãe tinha naquela semana, tudo para a recuperação da minha filha, que passou semanas sem dar nenhum sinal de recuperação, j**k foi morar com o pai em um outro lugar fora de Pilgrim, Kansas era o nome do lugar. E eu fiquei ao lado da minha filha até o final, depois de muita luta e quase milhões gastos, ela tinha se recuperado. Mas nós agora estávamos pobres, tivemos de vender nossa casa e quase todos os nossos bens, o enterro de minha mãe foi em Pilgrim, na cidade onde morávamos na época, antes de nos mudarmos para Downtown. j**k e Willard não apareceram, todos tentavam encontrá-los, mas eles haviam sumido do mapa, e então eu e Evelline decidimos morar ali mesmo, minha avó havia deixado um testamento para que a casa dela fosse nossa propriedade após a sua morte, porém a casa foi inteiramente queimada, misteriosamente. Então eu e minha filha tivemos de nos virar com o'que tínhamos, vivemos num apartamento mais barato, eu cuidei muito de Evelline, ela estudou, cresceu, se tornou uma pessoa digna, mas eu nunca mais tive notícias de j**k desde então. Tudo até que estava indo muito bem na medida do possível, até que uns homens nos roubaram, eles levaram tudo o'que tínhamos, e depredaram nossa casa totalmente, minha filha já tinha 9 anos nessa época, e nós agora estávamos morando num barraco, com a venda do nosso apartamento depredado, ganhamos muito pouco. E estávamos na miséria, se não fosse o meu irmão mais velho e meu avô, que se juntaram, e compraram a companhia dominante do país na época, criando assim, a Piwbrins Industries e como centro, a Austin Tower, que foi montada em homenagem ao meu pai, como presente de aniversário dele. Os dois tiraram nós duas da miséria, e nos trouxeram para morar com eles aqui, nosso padrão de vida subiu de novo para oque éramos antes da morte da minha mãe, e assim vivemos. Dois anos depois, j**k retornou a Downtown como o Muralha de Ferro, sendo um dos melhores lutadores de um g***o de arte marciais da cidade na época que ele próprio havia criado, ele veio me visitar, num horário em que Evelline estava na escola, m*l deu pra matarmos a saudade e contarmos as novidades, pois ele precisava volta para o clube e treinar, ele raramente me visitava, pois não queria esbarrar com sua irmã. E assim foi durante 3 anos, até que Evelline decidiu que queria passar um ano em Pilgrim, estudando, para se aperfeiçoar em um curso de lá, e eu permiti, financiando uma casa com tudo pra ela, e uns guardas a vigiando, com horários pra voltar pra casa e tudo mais. Nesse meio tempo, j**k e eu nos aproximamos mais, o único frescor que eu tive em anos, ele ainda me amava e cuidava de mim com tudo oque ele tinha, nessa época, ele já era o Muralha de Titânio fazia uns 2 anos. E o tempo se passou mais um pouco, até que Evelline volta pra casa, e usando você, ela organiza esse reencontro com o irmão, oque chega a ser uma baita surpresa pra mim, já que os dois se odiavam. Hillary fica bem inquieta ao ouvir toda essa história e não encontra as palavras certas para dizer, mas mesmo assim tenta: - A senhora realmente é uma mulher muito forte... - Minha vida só seria realmente completa se os meus dois filhos estivessem bem, o'que parece ser impossível, devo dizer... - Não perca o ânimo senhora. Ah, e eu não sabia de toda essa história quando levei os dois a se encontrarem. - explicou Hillary. - Evelline apenas me pediu para... - ela ainda estava falando quando foi interrompida por Madame Olinda que disse: - Eu sei querida, não é sua culpa, não se preocupe. Me conforta saber que pelo menos Evelline está tentando ajeitar as coisas. Só que é uma pena que meu filho j**k seja tão cabeça dura e orgulhoso, mesmo depois de todo esse tempo, ele continua turrão como sempre foi. E a Madame Olinda se levanta, pedindo licença para Hillary e indo à cozinha. Hillary a deixa ir, e fica ali, muito pensativa, quando Evelline, que agora estava acordada, se vira para ela, com os olhos cheios de lágrimas. - Você estava ouvindo tudo, não é? - Ouvi o suficiente... Evelline se levanta e fica sentada sobre a cama. - Meu irmão quase foi preso, por causa do meu egoísmo... Eu ignorei o fato de que ele também estava sofrendo... - Não existe vilão nessa história, todos vocês são vítimas. Evelline colocou as mãos sobre o rosto, secando suas lágrimas...
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