Trabalho ou amor?

1298 Words
Você já acordou no paraíso? Pois, para Kira ela tinha acordado. Olhar a imensidão azul do rio que fica em frente ao quarto do hotel, enquanto o vento bom invade seu rosto é perfeito. Ainda mais na companhia de quem se ama. O nascer do sol aqui é a coisa mais linda. Ela agradeceu mentalmente por ter aceitado vir. Estavam tomando café na mesa pequena de vidro que ficava na varanda do quarto. E tudo que seus corações gritavam era de terem feito a escolha certa e não queriam sair dali. Mas, foi só a loira pegar seu celular para tirar umas fotos enquanto ele foi no banheiro que sua bolha estourou. Ao ver 10 chamadas perdidas do seu chef, ela inchou as bochechas. Thomas que volta a varanda olhou por cima da tela do celular.  — Aí meu Deus! É meu chef do Canadá, eu esqueci completamente! — Ela levou a mão na cabeça mordendo os lábios inferior com força. — Mas essa hora? São apenas poucas horas de diferencia, cê n******e deixar isso para amanhã? — Ele disse se inclinando beijando sua testa e pondo uma mecha de cabelo dela para trás da orelha. — Eu sei mas, ele não tá no Canadá, está no Japão. Queremos fechar com eles a anos, ele deve tá precisando da minha ajuda, espera só um instantinho! — Ela disse se levantando dando um beijo em suas bochechas e se afastando um pouco para atender o telefone. —Oi Nick, perdão não ter atendido estava ocupada. Thomas sentou na varanda e voltou a comer, cortou o mamão e se virou dando ela privacidade. Ela entrou no quarto e se encostou na porta do banheiro. Seu chef não parecia irritado, muito pelo contrário. Kira havia conseguido fechar com os j*******s, era um projeto dos seus sonhos. Um prédio sustentável em Toronto, fora que ela já tinha incomodado seu chefe absurdamente para pensar naquele projeto depois de tantos nãos, agora ela tinha fechado. — Isso é ótimo. — Seu coração acelerou dentro do peito, e sua boca ficou seca. Ela desligou o celular e voltou com uma expressão triste em seu rosto. Sentiu suas pernas tremerem, e sus mãos suares. Como dizer que precisa voltar para o Canadá? Aliás, como voltar para o Canadá depois de uma noite daquelas?  Caminhou até a varanda, quando deu involuntariamente uma topada no próprio pé. — Você estava certa, Virgin River é uma boa série! — Ele disse mastigando um pão de queijo. Ela puxou a cadeira e sentou em frente a ele com um sorriso pálido. — O que foi? — Ele perguntou. Ela olhou para paisagem e respirou fundo, encarou a cesta de pão e colocou três pães de queijos na boca. Ele rio.  — O que era? Ela diz juntando as sobrancelhas, olhando para ela. — Você está bem? O que ele queria? De repente ela estava suando de nervoso, seus pensamentos faziam seu estomago revirar. Foi quando a mao do ruivo pousou em cima da dela sobre a mesa. — Sem preguntas difíceis essa noite lembra? Podemos estender até amanhã? Sem brigas, sem... — Eu acho que essa pergunta não é difícil, é só dizer o que ele queria? —Thomas a olhou com os olhos cerrados. — Ele quer me promover, conseguimos um grande negócio. Disse que assim que voltar preciso assinar os papéis. — Ela engoliu seco. Thomas gelou, quando ouviu ‘’assim que eu voltar’’ Tentou não engasgar. Ela era livre para ficar ou não, mas como ele queria que ela ficasse. — Então, você vai voltar? — Juntou os lábios e se perguntou por que ela pergunta doía tanto, era simples por que ele a amava. — Esse é o problema Thomas, eu não sei, eu realmente não sei. — Ela balançou a cabeça. O silêncio que perdura entre eles está cheio de dúvidas. — Não posso te obrigar a ficar. Mas, quero que saiba que você é e sempre será o amor da minha vida, a pessoa perfeita para mim. — Ele a encarou e ela já estava chorando. — Eu sou mais seu agora do que já fui antes, e nem sei como isso é possível. Eu tentei, tentei arrancar esse sentimento de mim, mas não fui capaz. Eu não consegui te esquecer. — Juntou os lábios e balançou os braços, uma lágrima caem em seu rosto.   Kira limpou as lágrimas no rosto, ignorando seu coração que se partia ao ouvir tudo aquilo, o sonho da sua carreira estava em jogo, mas também o amor da sua vida. Mas, uma coisa parou em seus pensamentos, ela ainda tinha medo de casar?  — Thomas, você diz que eu sou a melhor pessoa do mundo para você, mas até quando? Até que eu frustre o que esperou de mim. Você age como se não tivesse medo de nada, como se tivesse certeza de tudo. Ela se levantou entrando no quarto, sentou na cama e ele a seguiu ficou em sua frente e abraçou a perna dela, olhava fundo nos olhos dela.  — Você acha que eu nunca tive medo, Kira?  Já tive muito medo quando minha família precisou de mim. Não por você precisar, porque todo mundo precisa de alguém para dar um conforto quando o mundo tá pesado demais. — Seus olhos brilharam de lágrimas e ele desabou, ele acariciou seus cabelos. — Cerca de dois meses depois que você foi embora meu pai faliu, mas pior que isso, uma noite ele chegou espancado. Ele devia a muita gente e nós não sabíamos. Era muito dinheiro mesmo, minha mãe se desesperou e isso aconteceu justamente quando eu tinha passado na UFMG, mas eu não podia ir. Não quando todos precisavam de mim. — O coração dela partiu, então foi por isso que ele não foi para faculdade? Suas mãos enxugaram as lágrimas na face dele. — Então, eu trabalhei na fazenda. Quase ficamos sem teto, mas, fiz empréstimos, fiquei com nome sujo. Mas, com tempo e trabalho duro conseguimos recuperar. Sabe, eu também tenho meus traumas, aliás ninguém é perfeito. — Eu sinto muito por você ter passado por isso. Por que não me contou? Não me disse nada.  — Por que não eram seus problemas, e nós não estávamos mais juntos. — Eu não deveria ter fugido, não sei o que me deu naquele dia. Eu tinha ligado para minha mãe e de repente, tudo me veio à tona e... — Você tem medo que acabássemos como os seus pais? Meu amor, nós não somos o seus pais, e você não é a sua mãe. — Como você sabe? — AS lágrimas voltaram em seus olhos, percorrendo seu rosto. — Eles também achavam que iria dar certo e não deu, por que ela se foi? — Ela soluçou e se jogou na cama, ele se levantou e deitou em frente a ela a abraçando. Foi mais um abraço de despedida? Ele odiava despedidas, eram duras e cheias de dor. — Preciso pensar. —Seu celular tocou mais uma vez. Ele sentou na cama colocando as mãos atrás da cabeça. Seus ombros caíram, e endireitou os mesmos, limpando o rosto. — Eu vou ser sincero com você, eu to cansando. Tô cansado de amar você, e ver você indo embora! — Ele se afastando dela, caminhando para trás. De repente aquele quarto tinha ficado grande demais, a distância dela e dele não era só física.  — Eu acho que eu vou descer e pagar o hotel! Kira engoliu seco, tecla com as mãos tremulas, chamando um Uber. Ótimo! Uma hora para o carro selecionado chegar, ela revirou os olhos. Thomas foi primeiro sem se despedir e depois de uma hora esperando no sagão do hotel que tinha muito mosquito ela entrou no carro. 
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