Capítulo 49

800 Words
Quando a Música Silenciou Alicia se divertia como nunca. Entre Alex e Alan, o mundo parecia menor, mais seguro. Ela dançava sorrindo, girando levemente, sentindo-se viva. Os dois homens não conseguiam disfarçar: os olhos deles percorriam cada gesto, cada movimento do corpo dela, não com vulgaridade, mas com admiração e desejo contido. Era impossível não olhar. O vestido se movia com ela, o cabelo solto acompanhava o ritmo, e Alicia parecia finalmente ter esquecido todas as dores que carregava nos últimos tempos. — Vamos sentar um pouco — sugeriu Alan, percebendo que ela começava a ficar ofegante. — Pra refrescar. Alex assentiu. — Eu vou buscar os drinks. Enquanto Alex se afastava, Alan puxou uma cadeira para Alicia e sentou-se ao lado dela. A música continuava alta, mas ali, na mesa, o ritmo desacelerava. — Gostou da noite? — ele perguntou, aproximando-se. Alicia sorriu largo, os olhos brilhando. — Muito. Vocês são demais… você e o Alex. Alan sorriu também, sentindo o peito aquecer. Antes que pudesse responder, Alicia se inclinou e lhe deu um selinho rápido, espontâneo, cheio de carinho. O sorriso dele congelou por um segundo. — Amor… — ele falou baixo. — Me desculpa, eu esqueci que… só em casa. Alicia franziu levemente a testa, depois sorriu, um pouco envergonhada. — É que eu queria beijar você. Alan segurou o rosto dela com cuidado. — Não tem problema. Aqui a gente pode… alguns beijos. Antes que ela respondesse, Alex voltou equilibrando os copos coloridos. — Aqui, princesa. Os olhos de Alicia brilharam ao ver os drinks. — Que lindo! Ela pegou o copo e deu um gole. Fez uma careta surpresa e depois sorriu. — Humm… docinho. Sem perceber, passou a língua de leve pelos próprios lábios. O gesto foi inocente. O efeito, não. Alex olhou para Alan, depois para ela. — Princesa… não pode fazer isso. Alicia inclinou a cabeça, confusa, com uma inocência quase desarmante. — O quê? Alan pigarreou, tentando manter o controle. — Essa sua língua… dá ideia. É isso que o Alex tá falando. Alicia arregalou os olhos, sentindo o rosto esquentar imediatamente. — Eu não fiz por… — Eu sei — Alex interrompeu, rindo de leve. — Só pensei… e fiz você pensar, amor. Ela abaixou o olhar, completamente vermelha, e os dois sorriram. Havia leveza ali. Cumplicidade. Vida. Depois de mais uma música, Alicia sentiu uma necessidade urgente. — Vou ao banheiro rapidinho. — Eu vou com você até lá — disse Alex, levantando-se de imediato. Eles caminharam juntos até o corredor. Antes de entrar, Alicia sorriu para ele. — Já volto. Alex ficou do lado de fora, encostado na parede. Foi quando notou duas mulheres saindo do banheiro feminino. Graziela e Raissa. Elas riam baixo, um riso que não combinava com o ambiente. Havia algo ali… mas Alex não conseguiu identificar o quê. Minutos se passaram. Alicia não voltou. Um aperto estranho tomou o peito de Alex. Ele empurrou a porta do banheiro feminino, ignorando qualquer regra. — Alicia? O silêncio foi a resposta. Deu mais alguns passos e então viu. Alicia estava caída no chão frio, o vestido manchado, uma poça de sangue se espalhando lentamente ao redor dela. O mundo de Alex parou. — NÃO… — a voz saiu em desespero. Ele correu até ela, ajoelhou-se, segurando o rosto pálido. — Fica comigo, princesa… fica comigo. Com mãos trêmulas, puxou o celular e ligou para Alan. — Alan… vem agora. Agora! Alan chegou em segundos. Quando viu a cena, sentiu as pernas fraquejarem. — Meu Deus… Chamaram socorro, tudo aconteceu rápido e lento ao mesmo tempo. Sirenes, luzes, gritos. Alicia não reagia. No hospital mais próximo, portas se fecharam. Médicos correram. Eles ficaram do lado de fora, impotentes. — Ela tá entre a vida e a morte — disse um médico, sério. — Estamos fazendo o possível. Alex andava de um lado para o outro, o maxilar travado, os olhos cheios de ódio. — Aquelas duas vão pagar. Alan levantou o olhar, confuso e devastado. — Quem? Alex parou diante dele, a voz firme apesar do tremor. — Graziela e Raissa. Foram elas. Eu vi saindo do banheiro… rindo. Alan fechou os olhos por um instante, a dor misturada com culpa e fúria. — Se algo acontecer com ela… A porta da emergência se abriu novamente, e Dona Natália surgiu apressada, o rosto pálido. — Cadê a Alicia? — perguntou, desesperada. — Ela tá lá dentro — respondeu Alan, com a voz quebrada. — Não deixam a gente entrar. Dona Natália levou a mão ao peito, segurando o choro. — Minha menina… Do outro lado da porta, médicos lutavam pela vida de Alicia. Do lado de fora, três corações estavam à beira do colapso. E a música daquela noite… nunca mais voltaria a tocar do mesmo jeito.
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