Capítulo 48

836 Words
Luzes que Despertam A ideia surgiu de forma simples, quase casual, enquanto Alex observava Alicia sentada no sofá, concentrada em um livro que m*l virava a página. — Alan — ele disse, apoiando o cotovelo no encosto da cadeira —, você já parou pra pensar que a Alicia é jovem demais pra viver só entre nós dois e o trabalho? Alan levantou o olhar devagar, analisando a expressão divertida no rosto do irmão. — Onde você quer chegar? Alex sorriu, aquele sorriso que sempre anunciava confusão boa. — A gente podia levar ela pra dançar. Uma boate. Música alta, luzes, gente jovem… vida. Alan pensou por alguns segundos e acabou sorrindo também. — É… ela vai gostar. — E vai nos provocar — Alex completou, rindo baixo. Quando a ideia foi apresentada, Alicia demorou alguns segundos para reagir. — Sério que vocês vão me levar… numa boate? — perguntou, arregalando os olhos. — Claro, princesa — Alex respondeu sem hesitar. — Você precisa viver um pouco mais do que hospital, casa e nós dois. Alan se inclinou para perto dela, provocador: — E vai se arrumar e ficar ainda mais gata do que você já é. Alicia riu, mas o coração acelerou. A empolgação veio acompanhada de um leve aperto no peito. — Eu nunca fui numa boate… — Então vai ser especial — disse Alex com suavidade. — E você não vai estar sozinha. No quarto, Alicia abriu o guarda-roupa e encarou as poucas peças que tinha. Blusas simples, vestidos discretos, roupas que combinavam mais com rotina do que com noite. Suspirou… até se lembrar. A sogra. A lembrança veio acompanhada de um sorriso. Caminhou até o fundo do armário e puxou o vestido que tinha ganhado. Era mais ousado do que qualquer coisa que já havia usado. As costas nuas, o tecido leve, elegante, do tipo que parecia ter sido feito para dançar. — É hoje — murmurou para si mesma. Tomou banho com calma, deixou a água levar a insegurança embora. Secou o cabelo e decidiu usá-lo solto, longo, caindo pelos ombros. A maquiagem foi mais elaborada do que o costume — olhos marcados, lábios suaves. Não queria parecer outra pessoa. Queria apenas se sentir linda. Quando saiu do quarto, Alex e Alan já estavam prontos. Conversavam baixo, mas pararam no mesmo instante em que a viram. O silêncio falou por eles. Alex foi o primeiro a respirar fundo. — Princesa… acho que hoje você está mais linda do que nunca. Alan engoliu em seco, os olhos presos nela. — Esse vestido… amor… Alicia sorriu, um pouco envergonhada. — Lindo, né? Foi a mãe de vocês que me deu. Os dois se olharam por um segundo, como se compartilhassem um pensamento silencioso. Orgulho. Gratidão. Desejo contido. — Ela tem bom gosto — disse Alan, finalmente. Foram no carro de Alex. Ele dirigia, concentrado, mas vez ou outra lançava olhares pelo retrovisor. Alan seguia no banco do passageiro, a mão ocasionalmente estendida para trás, tocando os dedos de Alicia. Ela ia no banco de trás, observando as luzes da cidade passarem, sentindo algo novo crescer dentro dela. Quando chegaram, o impacto foi imediato. Luzes coloridas cortavam a escuridão, o som grave da música vibrava no peito, gente rindo, dançando, vivendo. Alicia abriu um sorriso espontâneo. — É tudo tão… intenso — disse, quase gritando por causa da música. — E ainda nem entramos — respondeu Alex. Ele a puxou pela mão, firme e cuidadoso. Alan segurou a outra. Alicia sentiu-se no centro de algo seguro e excitante ao mesmo tempo. Passaram direto para a área VIP. Alan não queria que ela se sentisse deslocada ou invisível. Queria que ela aproveitasse cada segundo. — Hoje é sua noite — disse ele ao pé do ouvido dela. A música começou a envolver. Alicia hesitou no início, os movimentos tímidos, mas Alex começou a dançar perto dela, descontraído, divertido. Alan se aproximou pelo outro lado, mais contido, mas atento. — Relaxa — disse Alex. — Não existe certo ou errado aqui. Ela respirou fundo e deixou o corpo seguir o ritmo. Primeiro devagar. Depois mais solta. O vestido acompanhava cada movimento, o cabelo balançava, e a insegurança dava lugar à liberdade. Pela primeira vez, Alicia não se sentia frágil. Sentia-se desejada, viva, inteira. Alex observava com um sorriso orgulhoso. Alan sentia algo diferente — uma mistura de proteção e admiração profunda. Ela ria, dançava, provocava sem perceber. Não para chamar atenção de outros, mas porque estava descobrindo a própria força. — Vocês estão me olhando — disse ela, divertida. — Difícil não olhar — respondeu Alan, sincero. Alicia sentiu o coração aquecer. Ali, entre luzes e música, percebeu que aquela noite não era só sobre dançar. Era sobre pertencer. Sobre se permitir. Sobre ser jovem. E enquanto a música continuava, Alicia soube que algo tinha mudado dentro dela. Não era mais apenas a menina cuidada. Era uma mulher aprendendo a viver — com Alex, com Alan, e consigo mesma. E aquela era só a primeira dança.
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