Capítulo 1
A lua estava no céu a noite como uma foice afiada de prata, fria e indiferente aos que estavam observando sua luz. No leste do território da matilha lua de prata, o vento adentrava os pinheiros de centenas de anos, sussurrando o anúncio de uma tempestade de neve e um silencio que fazia os pelos da nuca de Lyra Vance arrepiar.
Na cabana de madeira pequena e rústica que era usada como enfermaria, o ar tinha cheiro de ervas esmagadas, lavanda meio seco e um desespero silencioso. Lyra esmagava as folhas de uma planta chamada confrei numa tigela de pedra com uma força constante, os dedos finos e cheios de calos estavam tingidos de verde pelo suco da planta. Era um trabalho repetitivo, indigno para muita gente, mas pra ela, era sua única forma de sobreviver. Como uma loba inferior, quase uma ômega pelos olhos dos outros membros, ela aprendeu que ser invisível era o melhor escudo contra a maldade.
O alfa Thorne, líder da lua de prata, governava com mãos de ferro e um ego frágil. Ele detestava os fracos, e Lyra, com sua aparência delicada, cabelo loiro meio prateado que parecia capturar a luz que refletia a lua e uma loba interior que se recusava a aparecer em momentos agressivos, era o auge do que ele considerava inútil. Ela era tolerada unicamente pela sua habilidade sem igual da medicina ancestral.
Lyra parou de pisar as ervas, seus olhos que eram violeta pálido e que não era comum se ergueram na direção da janela embaçada pela geada. Seu coração saltou do peito repentinamente, ela sentiu uma batida errada, o que não tinha explicação. Não havia outro som além do vento. Não tinha movimento nas sombras da floresta. Porém, sua loba interior, silenciosa e reprimida no fundo da sua mente, arranhou as paredes da sua mente, inquieta. Aterrorizada.
E então, o mundo desabou.
Não foi dado uivo de aviso. Não soaram o alarme que a patrulha tinha na fronteira. O ataque foi de repente e destruidor como uma avalanche.
O primeiro som ouvido na noite foi em estrondo horrível e arrepiante, seguido de um grito que se transformou em um uivo de dor antes de ser silenciado de repente. Lyra deixou o pilão de pedra cair. Ele saiu rolando na mesa feita de carvalho, e se quebrou no chão de tabua corrida, mas ela nem notou o barulho. Seus sentidos foram rapidamente inundados.
O cheiro de fumaça acre começou a se infiltrar pelas janelas, rapidamente substituindo o cheiro fresco dos pinheiros. E naquela fumaça, espessa, veio outro cheiro um metálico, cheiro de sangue. Muito sangue.
Corra, a voz bem sutil da sua loba, fraca, porém urgente soou. Morte. A morte está aqui.
Lyra correu para a janela, limpando a janela embaçada com o suéter desgastado que ela usava. Seus olhos se arregalaram com puro horror. A clareira que ficava além da floresta, e onde ficava o alojamento principal dos guerreiros da lua de prata, estava em chamas. Labaredas alaranjadas cobriam o céu daquela noite, engolindo a madeira e as pedras. Mas o pior na o era o fogo.
Lobos monstruosos, com pelagens tão escuras que pareciam nem refletir a luz, adentravam o território. Elas não estavam lutando, estavam massacrando. Eram maiores, mais rápidos e infinitamente mais c***l e letal do que qualquer guerreiro que Thorne poderia treinar. Eles se moviam com precisão letal, militar era como uma coreografia de carnificina que só pertencia a uma lenda constantemente sussurrada com pavor ao redor de fogueiras.
A matilha eclipse de sangue.
Um soluço escapou dos lábios trêmulos de Lyra. O rei alfa kaelen blackwood, o lobo de gelo. O tirano do norte que jurou que iria aniquilar qualquer matilha que se aliasse aos rebeldes das planícies. Thorne, com sua arrogância e estupidez infinita e cega, deu abrigo para os desertores do eclipse de sangue alguns meses atrás. E agora, o d***o veio cobrar a dívida.
As janelas da cabana de Lyra primeiro com a força de um uivo bem alto. Não eram um som de dor. Era um rugido de dominação completa. Vibrou pelos ossos de Lira e fez seus joelhos cederem. A aura de poder acompanhada pelo aquele uivo era sufocante, denso, Sombrio. esmagando Qualquer Lobo interior a quilômetros de dominação. Era a aura de um Alfa Supremo.
Ela precisava se esconder. A Fuga pela Floresta era impossível Os Guerreiros de Blackwood vasculhavam o perímetro Seu peito ofegava enquanto ela girava sobre os calcanhares, a sua respiração formava pequenas nuvens brancas pelo ar frio da cabana. Seus olhos passaram pelo espaço parando no tapete felpudo, no centro do cômodo. Nele tinha um alçapão que levava ao porão um espaço escuro pequeno ela guardava ingredientes que eram sensíveis à luz e temperatura.
Com as mãos trêmulas, Lyra colocou o tapete para o lado. travando as mãos na argola de ferro enferrujada o alçapão fez um rugido que foi ensurdecedor nos seus ouvidos.
Seus instintos de sobrevivência falaram mais alto ela correu até a gaveta. Puxou uma adaga de prata essa arma era estritamente proibida pelo conselho, mas ela tinha escondida para se proteger de rogue ou pior dos membros abusivos que tinham em sua própria matilha.
Ela agarrou o cabo de couro com força, desceu as escadas de madeira fechou o alçapão com força em cima da sua cabeça puxando a fechadura da parte de dentro.
Não tinha luz nenhuma no porão. Tinha cheiro de terra molhada batata velha e musgo, Lyra se encolheu no canto, abraçou o joelho contra o peito e apertou adaga com força até seus dedos ficarem com os noz brancos. Ela respirou até desacelerar, fechou o olho enquanto causa explodia lá fora. O som do amor da morte ecoava através das tábuas do piso. Sons de madeira quebrando, rosnados furiosos, e choros de súplica daqueles que percebiam que a morte era inevitável. Lyra chorou quieta, as lágrimas quentes escorrendo por suas bochechas frias. Ela não tinha apego por Thorne Oh. Guerreiros que sempre A humilharam, mas tinha pela sua casa o único mundo que ela conhecia estava se reduzindo na cinza e sangue em cima de sua cabeça. O tempo já não era perceptível podem ter sido minutos, ou podem ter sido horas. Os ecos da batalha começaram a diminuir, e foi substituído por algo bem pior: O silêncio da vitória. A fumaça estava se infiltrando pelas frestas do alçapão, fazendo os olhos de Lyra arderem sua garganta coçar. Ela aprendeu a respiração e tapou a sua boca com a mão livre. Então ela ouviu. S lentos, pesados que soaram na varanda da sua clínica. As tábuas de Carvalho rangeram sob o peso de algo a porta da frente não foi aberta, foi brutalmente estilhaçada em 1000 pedaços com um único golpe brutal os fragmentos de madeira voam por todo o chão. Lira parou de respirar. Seu coração batia nas costelas com um beija-flor enjaulado, era o pânico. Tinha alguém aqui. Um lobo. Não, o lobo.
Aquela aura opressiva que ela tinha sentido de longe agora estava em todo o espaço da cabana, pesada que Lyra sentiu uma pressão nos seus tímpanos. Era linda e aterrorizante. O ar pareceu cair dez graus de uma vez só.
Então um cheiro chegou as narinas dela. Substituindo o fedor do sangue morte e fumaça era uma fragrância que não pertencia àquele momento de pesadelo cheirava a terra molhado como a primeira chuva de outono madeira de cedro antiga era algo elétrico como o ar antes de um raio era o melhor cheiro que ela já sentiu na vida inebriante selvagem e viciante.
A reação foi instantânea e violenta a loba de Lyra que estava encolhida em terror covarde se ergueu de repente na sua mente uivando arranhando exigindo o controle. O calor passou do começo ao fim pela espinha de Lyra, correndo pelas suas veias como se fossem fogo líquido, derretendo a sensação de medo e virando uma necessidade súbita crua e primitiva.
Companheiro, sua loba rosnou em sua mente, a voz dela vibrando com possessividade r desespero. Nosso. Nosso companheiro.
- Não...- Lyra sussurrou, a palavra saindo quase de maneira imperceptível pelos seus lábios. - Não, deuses, não.
Ser a Companheira Predestinada de um assassino. Invasor. O destino era c***l, uma piada doentia.
Acima dela, os passos pararam.
Kaelen Blackwood tinha parado no meio da sala. Lyra podia ver a cena por entre as frestas do assoalho de madeira. O silêncio seguinte foi elétrico, pesado de uma tensão que parecia dobrar a realidade. Ele não estava revirando a cabana atrás de algo, nem estava quebrando nada atrás dos seus suprimentos.
Ele estava farejando o ar.
Lyra ouviu uma inalação profunda, um som forte que soou alto no peito do homem em cima da cabeça dela. Em seguida, ela ouviu um rosnado baixo, sombrio e gutural através da madeira, sacudindo a poeira do teto do porão que caiu sobre os cabelos prateados de Lyra. Não era um rosnado de raiva. Era um som de descoberta. Uma reivindicação primitiva.
Os passos começaram novamente, mais rápidos dessa vez, mais focados. A predação na sua forma mais pura.
Ele parou exatamente em cima do alçapão.
Lyra ergueu sua adaga de prata, com as mãos tremendo tanto que mão conseguia segurar o cabo. As lagrimas embaçavam sua visão. Ela apontou a lâmina para cima, pronta, pra lutar, pronta pra morrer se fosse preciso, mas jurou para si mesma que não se renderia facilmente sem resistir.
Crash.
A fechadura de dentro do alçapão, essa que deveria ser capaz de suportar a força de dois homens, cedeu facilmente. A própria madeira do teto cedeu com um explosivo estrondo. Tabuas foram arrancadas como se fosse um papel frágil. As luzes laranjas do fogo que queimava na floresta do lado de fora invadiu o porão escuro, cegando Lyra temporariamente.
Ela piscou contra a luz, erguendo os braços para se proteger da chuva de destroços. Quando a poeira baixou, ela olhou para cima.
Coberto completamente pela a******a destruída do assoalho, tinha um monstro. O rei alfa.
Kaelen Blackwood era uma figura sombria e esculpida, em que cada detalhe parecia de um deus. Ele era colossal, seus ombros largos impediam a passagem da luz. Ele usava calças táticas escuras e uma camisa de algodão preto que estava muito rasgada, revelando seus músculos tensos e machados de sangue doas seus inimigos.