SOPHIA
Um ódio imenso me toma naquele momento pois ela já havia passado todos os limites e eu também não aguentava mais ser educada com ela, respiro fundo e retribuo o tapa com toda força que eu tinha, ela tenta retribuir mas eu a seguro e digo.
- Eu não destruir a vida do seu filho! Você que a destruiu com essa sua soberba e arrogância! – solto a mão dela que ficou com as marcas do meu dedo.
- Você é uma mulher suja e sem escrúpulos algum, você tem ideia do quanto o Pietro sofreu para construir aquele patrimônio? – questiona indignada.
- Você que deveria se importar com isso não? Vai embora daqui Genevieve – peço apontando para a porta.
- Eu não vou sair daqui até você me ouvir... – vou em direção a porta mas ela tenta me puxar.
Ela parecia obcecada em tentar me ofender e aquilo já estava me assustando, saio correndo o máximo que podia e quando atravesso a rua acabo sentindo um impacto forte em mim que me joga na calçada.
Minha visão começa a ficar turva e eu vejo algumas pessoas ao meu redor, aos poucos tudo fica escuro até que se apaga totalmente.
PIETRO
Sinto o meu coração gelar em um dado momento da reunião, estava suando frio a tal ponto que o meu padrinho pede uma pausa e quando todos saem da sala eu apenas me sinto exausto e abaixo a cabeça, como poderia eu estar com uma sensação Tão r**m sendo que antes eu estava feliz.
- Toma essa água, Pietro – Me entrega o copo e eu levanto a cabeça e o pego, porém vejo meu celular tocar e vou até ele, era um número estranho porém eu o atendo e levanto enquanto pego a água para tomar.
Ao ouvir aquelas palavras o copo caiu da minha mão numa rapidez que eu sequer vejo, me sentei novamente na cadeira e fico num estado de choque Tão grande que o meu celular cai, meu padrinho estava assustado e preocupado.
- A Sophia sofreu um acidente padrinho – explico o deixando boquiaberto, logo as lágrimas começando a sair do meu corpo e ele vem me consolar – Eu não quero perder a minha mulher nem os meus filhos padrinho... Por que isso foi acontecer logo agora? – lamento em pranto.
Um tempo depois eu consigo me acalmar e quando chegamos no hospital o meu coração palpitava, foram algumas longas horas sem notícias alguma da minha mulher e eu estava a ponto de explodir.
- Noivo da senhorita Sophia Ross? – confirma um homem e eu balanço a cabeça afirmando – O acidente não foi tão grave porém agravou muito a gestação que já era de risco ainda mais por serem gêmeos, teremos que fazer uma cesárea de emergência pois se esperarmos ela ter as contrações para o parto normal ela e os bebês podem morrer pois já foi constatado que ela não tem passagem nem condições para um parto normal, as próximas horas serão extremamente delicadas senhor, vou ser sincero e dizer que todos os bebês e a sua esposa também correm um grave risco de vida – ouço aquelas palavras e sinto o meu corpo receber algo como um tiro, o meu padrinho me segura e me fala algumas palavras que eu não entendo pois o meu corpo cai ao chão e eu só conseguia chorar e me desesperar pois eu estava com muito medo…. Medo de perder a mulher que eu amo e os meus filhos que eu sempre sonhei em ter.
Eu não teria a força que o meu padrinho teve para recomeçar depois de perder a sua família também por um acidente de trânsito, eu mudei toda a minha existência esses meses em prol delas, não faria sentido para mim continuar se pior acontecesse pois eles eram a minha vida.
Após várias horas de tortura finalmente o médico vem até mim, meu padrinho já estava dormindo então respiro fundo e tomo o último gole de café para receber qualquer notícia que fosse, estava preparado para tudo mas ao mesmo tempo sem chão algum.
- Senhor o parto foi um sucesso – avisa com um semblante aliviado e um sorriso se forma em meu rosto, as lágrimas caem do meu rosto dessa vez de alívio – Mas ainda sim tanto ela quanto eles irão ficar de observação ok? O menino nasceu totalmente saudável mas a menina assim como a mãe precisa de um cuidado a mais. Parabéns pela sua família – me dá um abraço e respiro novamente aliviado.
- Posso ver eles? E também vê a minha esposa? – questiono curioso.
- As crianças estão na última sala da esquerda neste corredor – aponta e eu vou até lá – Mas a sua esposa precisa ficar mais algumas horas na UTI por precaução apenas, não se preocupe em breve irá tê-la ao seu lado – conforta ao vê meu semblante mudar.
- Ok então, muito obrigado – agradeço indo pelo corredor rapidamente.
Assim que chega no local vejo por trás do vidro uma enorme sala cheia de bebês, alguns dormindo e outros acordados bem serenos por sinal, algumas enfermeiras anotaram algo lá no fundo da sala e antes que alguma delas venha até mim me falar qual deles era o meu filho eu já consigo percebê-lo de longe... Ele era muito lindo.
Ele tem os olhos da mãe e algumas feições minhas no rosto, estava parado porém acordado e estava extremamente quietinho. Lembro de quando a minha mãe falou que eu parecia querer fugir do hospital de tão agitado nessas primeiras horas e dou uma risada breve.
- Já sabe qual deles é o seu bebê senhor? – questiona uma enfermeira.
- Sim sim, é este não é? – aponta para o último da última fileira e ela confirma :
- Ele tem uma irmãzinha gêmea? Se sim é ele sim. O único gêmeo dessa noite aqui no hospital por enquanto – confirma me deixando aliviado.
- Sabe onde a minha filha está? Eu queria ve-la se fosse possível – peço com um certo receio.
- Venha comigo senhor - pede indo até o outro corredor e eu a sigo.
Andamos mais um pouco e achamos uma sala como aquela só que com menos berços e estes eram diferentes dos outros, eu já consigo vê-la de longe, as lágrimas são inevitáveis pois era um serzinho tão frágil e ao mesmo tempo tão forte.
Ela estava dormindo tranquila com um aparelho no rosto, não conseguia vê direito o seu rosto mas certeza ela era tão bela quanto a mãe. Me encosto no vidro para a observar de mais perto e vejo ela se mexer, olho preocupado para a enfermeira e ela diz :
- Ela acordou senhor, não precisa se preocupar ela está bem, estamos só nos precavendo por que foi detectado um probleminha no coração dela... Tem casos na sua família? – questiona anotando algo em um papel.
- Meu avó materno e a família dele inteira tem problemas desse tipo – enxugo as lágrimas – Mas ela vai ficar bem? Vai ter alguma sequela? – questiono nervoso.
- Estamos investigando justamente isso senhor, fique tranquilo por favor. O senhor precisa estar forte para cuidar deles e da sua esposa – aconselha dando um sorriso.
- Muito obrigada pelas informações, tenha um ótimo dia de trabalho ok? – olho uma última vez para minha princesinha e saio. Quando passo na sala do meu príncipe também dou uma última olhadinha nele e sigo para onde eu estava. Meu padrinho ainda dormia e eu me sento ao lado dele.
Aviso a Ayla toda situação da Solhia e a mesma avisa que viria ao hospital em breve pois estava conversando com a dona da floricultura sobre as causas do acidente, eu também tinha isso para pensar por que não iria ficar impune, essa pessoa quase tirou a minha família de mim.
- E então alguma notícia? – questiona meu padrinho ainda sonolento.
- Eles estão bem mas em observação, o garoto está em um lugar e a minha menina em alguns aparelhos pois tem um probleminha no coração – explico um pouco nervoso – Por mais que me tranquilizem eu ainda tenho medo sabe?
- Isso não vai se repetir meu garoto, são outros tempos com mais recursos e a sua esposa vai ser tão forte ou mais que a minha foi ok? – me dá um abraço forte e logo em seguida levanta – Fique aqui eu irei cuidar das coisas enquanto a sua família se recupera ok? Conto para sua mãe...
- Não precisa padrinho. Logo estará nos jornais se não já estiver e ela saberá ok? Muito obrigado.
- De nada até mais? Qualquer coisa me ligue por favor – ele se despede de mim e dá um tchau para Ayla que havia acabado de chegar e estava bastante nervosa.
- O que aconteceu Ayla? – indago confuso e ela me mostra um vídeo no celular que me deixa totalmente paralisado.
- A sua mãe tentou matar a minha amiga e nem sequer prestou socorro – grita revoltada e eu ainda estava assimilando o que eu vi.
- O que você disse? – meu padrinho questiona tão incrédulo quanto eu.
Apenas saio daquele hospital o mais rápido que conseguia, ouço meu padrinho pedir que eu o espere mais assim que entro no quarto só consigo pisar o mais fundo que eu conseguia no acelerador e ir diretamente até aquela mansão.
Meu sangue estava fervilhando de uma maneira que eu conseguia o sentir passar quente pelas minhas veias, meu coração estava batendo tão rápido quanto quando eu conheci a Sophia pela primeira vez, eu estava cego pelo ódio e pela mágoa.
- VAI ME MATAR TAMBÉM? – grito saltando em frente ao carro da minha mãe, consigo vê a sua expressão assustada por dentro do vidro.
Dou um soco no capô do carro dela e fico com as mãos apoiadas nele por um tempo para respirar um pouco e ter fôlego para falar tudo que estava entalado em mim
- Você é a mulher mais suja e desprezível que eu conheço e todo amor que eu sentia por você se transformou em ódio e nojo! Eu já te dei tudo que você mais queria e mesmo assim você foi lá tentar tirar a única pessoa que me fez sentir o sentimento chamado amor? Você quase conseguiu mas saiba que se tivesse conseguido mesmo eu preferia a morte que ter que conviver com você novamente Genevieve. A partir de hoje eu não sou mais seu filho – finalizo deixando o colar que carrego desde o meu nascimento, este que segundo ela era uma pequena materialização do amor que ela sentia por mim mas tendo em vista tudo que aconteceu esse amor pelo visto não existia.