• Zl . . .
Zl: Aí, pô… essa menina vai ficar aqui por quanto tempo?
Vh: O tempo que for preciso. O pai dela já ligou aí...
Zl: Hm... e ele falou o quê?
Vh: Ele não quer ceder as paradas, pô. Pelo visto, o cara prefere ver a filha morta do que me entregar a p***a dos papéis.
Zl: Mas tu não vai matar ela não, né, Vh? — perguntei, e ele ficou calado, fumando — Qual foi, Vh? Ela não tem nada a ver com as paradas dele, tu tá ligado, né?
Vh: Eu dei meu prazo pra ele: duas semanas. Se ele não me entregar os papéis, quem vai dançar vai ser a filha dele.
Zl: Tu é vacilão demais, p***a. O que que a menina tem a ver com isso?
Vh: Qual foi, Zl? Vai defender o lado deles agora? Tu tem noção que é o meu na reta por causa daquele desgraçado?
Zl: Eu não tô defendendo ninguém, não. Mas tu tá ligado que eu fico bolado quando envolve família no meio. Mó covardia isso aí. Se livrar dela pra atingir ele só vai piorar as coisas, p***a. Pensa!
Vh: Dá em nada, não. Ele tem duas semanas. Se não negociar comigo, ela dança.
Zl: Faz o que tu quiser aí, na moral. Só não me envolve no meio.
Vh: Tu já tá mais que envolvido, Zl.
Me virei e saí da casa dele. Tirei a chave da moto do bolso, liguei e fui pra onde a menina tava.
Vh tá ligado que eu não apoio envolver família no meio, mesmo que o cara seja um filho da p**a. Nada me faz discordar disso. Mó covardia, pô, envolver inocente. Mó caô!
Zl: A chave do quarto, cadê? — perguntei pro Nk, que me encarou bolado e tirou a chave do bolso, me entregando.
O cara tá bolado comigo porque eu não deixei passar o que ele tentou fazer com a mina lá na casa dela. Mandei ele pra salinha mesmo, e ele apanhou direitinho pra deixar de ser o****o.
Qual foi? Cheio de mina se jogando pro cara, e ele quer logo abusar da outra? Ih, pô... comigo essas paradas não passam. Não gosto de covardia e cobro mesmo, seja quem for!
Destranquei a porta do quarto onde ela tava e ela me encarou. A mina tava com a cara toda inchada de tanto chorar.
Zl: Se arruma aí que a gente vai sair pra almoçar.
Nicolly: Eu não quero ir — limpou o rosto e se virou pro outro lado da cama.
Zl: Tu já deve ter percebido que eu não sou muito de ficar fazendo a vontade dos outros, né?! Ou tu se arruma pra gente ir, ou tu fica com fome o dia todo. Escolhe aí.
Ela me encarou e se levantou da cama. Os caras tinham pego uma mochila pra ela com umas roupas quando a gente ainda tava na casa.
Ela nem podia reclamar muito… tava tendo mó mordomia aqui. Mesmo contra a vontade dela e tal. Geralmente, o Vh não trata ninguém assim, não.
Ela demorou um pouco no banheiro, mas logo saiu, arrumada.
Zl: A gente vai, e tu vai ficar quietinha. Nem tenta nada que tu já tá ligada no esquema.
Ela nem respondeu. Abri a porta do quarto, entramos no carro e fomos, com os caras seguindo a gente de moto.
Era um restaurante aqui no morro mesmo, então não tinha caô. Ela comeu e a gente voltou pra casa onde ela tava.
Zl: Vou deixar a porta do teu quarto aberta. Tu vai poder ter acesso à sala e à cozinha da casa. Os caras já compraram umas paradas pra tu comer, tá tudo no armário.
E é o mesmo esquema — tu já tá ligada. Qualquer coisa, é só dar um grito pros menó.
Como sempre, ela só concordou com a cabeça, sem me olhar, em silêncio, encarando o nada.
A casa tava rodeada de cara armado, fazendo a segurança e pá. Então não tinha nem por onde fugir.
Ela tem sorte que eu ainda tô avisando dos riscos. Agora, se tentar, é porque não tem amor à vida mesmo.
Zl: Se liga: a Nicolly tá solta e eu deixei ela livre pra andar pela casa toda. Então não quero ninguém entrando lá dentro sem necessidade. Tô ligado na maldade de uns aqui, e comigo não passa batido, não!
Eles concordaram com a cabeça e eu peguei minha moto, saindo dali e indo pra minha casa.