• Nicolly . . .
Vh: Achei que eu nunca mais fosse te ver. Tu cresceu e virou uma mulher. Nem parece mais aquela criança que eu conheci.
Nicolly: Por favor, Diego, eu não tenho nada a ver com o que você e o meu pai têm. Me deixa ir, eu prometo que não falo nada pra ninguém.
Vh: Te deixar ir? Eu até deixaria, pô... mas eu tenho negócios com o teu pai. E como, aparentemente, você é o “tesouro” dele — fez aspas com as mãos — eu preciso de tu.
Nicolly: Tu só tá piorando as coisas, cara. Me sequestrar só vai piorar tudo. Me libera, por favor.
Vh: Eu faço o que for preciso pra me vingar do teu pai. Tu não tem noção do inferno que eu passei naquele lugar. Eu até te deixaria ir se tu não fosse tão importante pro que eu preciso.
Nem respondi mais nada. Só encostei a cabeça na parede, sentindo meus olhos arderem de novo.
Nem demorou e o outro homem entrou. Ele estava sem a máscara e, ao contrário de horas atrás, me olhava calmo. Me encarou por um tempo e logo desviou o olhar.
Vh: Pode ter certeza, aqui ninguém vai te tratar m*l. Tu é conhecida minha, é minha convidada de honra, pô.
ZI: Tu sequestrou a mina, tá mantendo ela amarrada... e isso é convidada de honra? — sorriu debochado.
Vh: Geralmente eu trato as pessoas pior. Mas como é a Nicolly, filha de um grande amigo meu, eu vou dar um desconto. Mas eu tenho que ir. Tu já sabe o que fazer, ZI.
Ele se despediu com outro deboche e logo saiu dali. E eu... só chorei mais ainda.
ZI: Eu tô ligado que tu tá com medo e pá, mas tu tem que fazer tuas paradas aí. Eu vou te soltar e tu vai. — se aproximou e pegou a chave do bolso — Mas nem tenta fazer gracinha, a casa tá rodeada de cara armado. Então nem perde teu tempo.
Ele tirou as algemas de mim e me guiou até o banheiro, que era dentro do próprio quarto.
Entrei, fechei a porta e me sentei no chão, chorando. Só pedia a Deus pra conseguir sair dali com vida. Coisa que eu já estava achando que não ia acontecer.
Eu tava cansada, nem conseguia ficar em pé por muito tempo. Me levantei, tirei a roupa e entrei debaixo do chuveiro.
A água morna caía sobre minhas costas e se misturava com as minhas lágrimas. Eu já nem sabia mais o que esperar dali pra frente.
Escutei o homem bater na porta, mas eu nem estava afim de responder. Ignorei, desliguei o chuveiro e saí pra me secar.
ZI: Qual foi? Tu não escutou eu te chamar não? — falou invadindo o banheiro e me assustando pela forma como entrou.
Ele me olhou de cima a baixo, mas logo desviou o olhar. Eu puxei a toalha e me cobri.
ZI: A tua roupa tá lá na cama. Vou deixar tu se trocar aí. — falou e saiu.
Tinha uma blusa de homem em cima da cama e eu vesti. Era tão grande que ia até o meu joelho. Ajeitei as mangas e o ZI voltou com um lanche nas mãos.
ZI: Os caras não conseguiram arrumar comida pra tu essa hora, então mandaram um hambúrguer. Tá aqui. — colocou o lanche e um refrigerante na mesa — Se quiser comer, tá aí. Tem lençol limpo no armário, caso tu queira.
E só pra te lembrar: vai ser em vão tentar fugir daqui. Como eu sei disso, vou te deixar solta.
Nicolly: Quando eu vou poder sair daqui?
ZI: Isso só vai depender do teu pai. Mas se ele foi capaz de te largar lá, sabendo que a gente ia... — parou de falar — Paizão que cê tem, pô. — falou no puro deboche.
Ele saiu e eu ouvi ele trancar a porta por fora. Eu já tava há horas sem comer e sem beber nada, então não ia pagar de durona e ficar com fome. Me levantei da cama, sentei na cadeira e comecei a comer.
Tinha uma escova de dente fechada no armário do banheiro, então eu peguei, escovei os dentes e, como eu não fazia ideia da hora e não tinha nada pra fazer, deitei na cama e nem demorou pra eu pegar no sono.