Don narrando
Nunca fui muito aberto com ninguém. Eu digo que só quem mais me conhece é meu pai. p***a, meu pai é o meu melhor amigo, o cara mais f**a desse mundo, e quando eu falo em pai, não é o que me fez não, porque daquele merda o que eu quero é nem lembrar dele. Aquele bosta não estragou só a minha vida não, ele estragou a vida de tanta gente que não dá nem pra colocar aqui. Meu pai mesmo é o Henrique que me cria desde os 11 anos mas sempre esteve na minha vida. Eu não lembro um dia importante pra mim que ele não estivesse lá, mesmo quando o outro merda ainda era vivo mas nunca esteve.
Meu pai sempre foi meu Porto Seguro, foi ele que me ensinou a andar de moto, a dirigir, a atirar, e sempre foi ele que me ouviu quando eu fugia de casa porque não aguentava mais as brigas que acontecia lá, quando eu não aguentava mais ver a minha mãe sofrendo, apanhando, gritando, e eu não podia fazer nada, e ninguém podia fazer nada, mas ele dava um jeito, ele interferia de uma forma tão sútil que parecia até mentira.
Minha coroa é zika, ela é mulher pra c*****o, guerreira pra c*****o, e eu amo ela com todas as minhas forças. Eu sempre falei que quando eu crescesse eu ia defender ela e ninguém mais ia fazer m*l a ela. Mas eu nem precisei fazer nada. Parece que realmente o que se faz em vida se paga com ela. E foi assim que aquele merda se foi de vez das nossas vidas, porque senão, eu mesmo teria feito ele respirar pela última vez como tantas vezes eu tentei e o pai Henrique nunca deixou.
Minha mãe teve uma vida fudida perto do meu pai, ela passou um veneno na mão dele, e eu sei que tem muita coisa que eles não me contam, porque os dois nunca quiseram que eu tivesse ódio do meu pai, mas eu tenho por mim, não é por ninguém me falar nada, é por tudo o que eu sofri vendo a minha mãe passar.
Minha mãe não tinha brilho, não tinha luz, não tinha vida ao lado daquele bosta, e eu cresci vendo isso e jurando que eu nunca ia fazer mulher alguma passar 1/3 do que ela já passou. E é por isso que eu nunca assumi e vou vou assumir mulher nenhuma.
Eu não sou santo. Tenho minhas putas por aí, não patrocino nenhuma, não faço nada por ninguém, elas sentam porque elas gostam, elas se matam por um pingo da minha atenção porque elas querem. O máximo que eu faço é liberar bebida no camarote pras vagabunda e elas pagam com a b****a depois, e é incrível como isso já faz elas se acharem o máximo quando na verdade elas não significam p***a nenhuma pra mim.
Eu tenho meu de fé que tá comigo na caminhada desde que eu entrei nessa vida, o leozin, o cara e f**a, nós crescemos juntos, foi o tio Henrique que treinou nós dois. Ele teve uma vida complicada, e ele e a irmã dele são da boca, ele nem queria que ela entrasse mas ela deu o jeito dela e entrou junto com a gente. Essa praga também é minha parceira, nunca peguei ela não, vejo ela como uma irmã pra mim, nós três somos inseparáveis, ou como a minha mae nos chama o trio da confusão. Helena é o caos, perturba a minha vida e quando ela quer alguma coisa ela consegue comigo ou com o leo porque ela faz a nossa mente maneiro. O que ela já estragou de rolo nosso porque nós empatamos ela não é brincadeira não. Eles são irmãos gêmeos, então não tem nem como a gente usar idade dela pra qualquer coisa porque nós três temos a mesma idade e fazemos aniversário na mesma semana, inclusive tá chegando nosso aniversário já, e aí o morro já começa a ficar agitado porque geral sabe que aniversário nosso é uma semana de festa sem desculpas, o final de semana não para, e a minha mãe e a minha tia ficam malucas com a gente por isso
— aí o comedia tu não atende a p***a do celular não — a Helena entra na minha sala já gritando e colocando o fuzil na mesa
— qual foi p***a tô ocupado — eu falo e a p**a estava me mamando eu só empurro a cabeça dela mais pra baixo pra Helena não ver meu p*u
— f**a-se bota pra ralar que eu tenho que falar contigo — ela fala e vai pra janela da minha sala virando de costas pra mim e acende um baseado
— vaza mina — eu falo com a paty da pista porque meu p*u já tinha até ficado mole
— poxa Don… será que te vejo mais tarde na praça ? — a mina pergunta cheia de dengo colocando a roupa de volta no corpo e eu suspiro bolado
— se pa eu broto lá e te aciono, agora mete o pé — eu falo com ela já saindo de trás da mesa e ela sai batendo a porta — ó filha da p**a da próxima vez tu vai ver meu p*u nessa p***a — eu falo dando um se liga nela me encostando do seu lado e tomando o baseado da sua mão
— deus me livre, que nojo — ela fala fazendo ânsia de vômito — o que tu gosta eu gosto em dobro e faço melhor que tu — ela tira com a minha cara e eu mando o dedo do meio pra ela
Ela é homossexual, eu adoro implicar com ela disputando mulher, ela fica p**a já quis me matar por conta de uma aí, que nem fui eu que comi, foi o irmão dela, os dois caíram no p*u enquanto eu comia pipoca e tomava um guaravita, vendo os dois rola no chão tampando na porrada
— da teu papo porque eu tenho que me preparar pro pagode pra pegar aquela ruivinha lá — eu irrito ela com a mina que ela tá toda caidinha mas diz que não
— ai namoral, eu te encho de tiro o filho da p**a — ela fala me dando um murro na costela — mas o papo é sério — ela fala já mudando a expressão — mudaram o comando do bope e o cara de lá me avisou que eles estão fechando com o coruja, passando as informações pra lá — ela fala e eu já fecho a cara
Coruja e o cara que matou o meu pai, e eu não tenho ódio dele por isso não, eu tenho ódio dele porque aquele safado mudou o comando puxou pros alemão e jurou tomar a mulher dele de volta pra ele.
Que no caso é minha mãe. Ele é doente nela, já espalhou várias vezes em várias favela que ela ainda ia ser dele, eu já vi meu pai Henrique tretando com ele várias vezes, e quando o verme que me fez morreu foi porque o i*****l pegou a mulher do coruja, comeu ela, matou a mulher e peitou o coruja falando que ele não era de nada. Um assunto que tava com os os quentes a anos, que meu pai Henrique fez acordo com o coruja em nome do escroto que me fez, o cuzao foi lá e estragou tudo. Resumo, o coruja matou o desgraçado é jurou que só para quando tiver com a minha mãe nas mãos.
Eu já falei que eu não sou o cuzao que se foi não, que eu sou o Don, e que se ele acha que vai fazer na minha favela, ou na minha família o que ele fez uma vez e pegou o cuzao lá, ele tá muito enganado.
Naquele dia da morte do meu “pai”, o Henrique tirou eu e minha mãe da favela, nós não entendemos nada quando do nada fomos parar no México de férias, a gente sabia que tinha algo errado, mas o Henrique que na época era braço direito do meu pai só pediu pra gente confiar nele e enfiou a gente num avião a força. Nós só conseguimos voltar três meses depois. Nem enterro pro escroto teve porque não sobrou nem corpo. Eu vi os vídeos dele sendo torturado e morto, eu não senti um pingo de pena, e eu sei que as lágrimas que minha mãe derramou no fundo eram de alívio, porque só ela sabe o tanto que ela sofreu nas mãos daquele comédia. Mas quando voltamos tudo estava um caos.
Henrique tentando tirar a favela do vermelho, os morador tudo em cima, tudo ameacando, tudo cobrando a favela porque aqui quem faz por eles é nós, e eu ainda era só um moleque naquela época não sabia nem o que fazer pra ajudar…
Minha mãe ficou na função com o Henrique e eu via, desde sempre o olhar dele pra ela, mas ela demorou muito a enxergar isso, e eu não a julgo, com tudo o que ela passou dar uma chance pra alguém de novo não era fácil. Nós nos reconstruímos, mas aquela promessa do coruja parece que ele nunca esqueceu
— e o que mais tu sabe ? — eu pergunto pra ela boladao jogando o baseado fora já engolindo o ódio
— que ele tá molhando a mão dos cara pra organizar uma mega operação aqui e ele invadir junto — ela fala bolada também e tem coisa que essa praga descobre que até Deus duvida dos métodos dela
— deixa ele vir… to esperando por isso…— eu falo olhando uma foto da minha mãe no meu celular e vejo o rádio no maior tititi — qual foi desses menor que não para de falar ? — eu já me estresso porque agora a minha mente já tava a milhão
— tá sabendo não ? Tua irmãzinha chegou e aí, namoral…— a Helena passa a mão na boca — que princesinha — ela fala e eu já encaro ela bolado e saio da sala indo pra minha moto
Tinha esquecido dessa p***a, quero só ver de qual é dessa mina, meu pai sempre falou dela, mas eu nunca quis saber muito não, via ele bolado chateado quando falava dela, e mudava logo de assunto. Mas se essa mina chegar aqui e destratar ele eu vou mostrar pra ela como funciona a favela
— vocês são pior que marmita de bandido hein, fofocada do c*****o — eu falo com os menor subindo na minha moto
— chefe, com todo respeito, mas eu vou entrar pra tua família hein — um dos vapor mete essa na minha cara
— duvido, aquela barbiezinha vai ser minha — a Helena corre subindo na moto dela e eu não espero nem mais um segundo e acelero pra casa pra saber desse buxixo pessoalmente
Acho que eu nunca cheguei na minha mãe tão rápido quanto hoje, ainda dei sorte que uma das mil mulheres da Helena parou ela na viela se não essa praga ia vir junto comigo, não vejo a hora do leo voltar, aturar a irmã dele sozinho é um inferno
Já entrei em casa gritando pelo meu pai e quando ia chegar na cozinha parei no corredor vendo uma boneca aparecer lá em cima na escada e eu senti meu corpo gelando na mesma hora, parecia que todo o sangue tinha sumido de mim
— oi filho, essa é sua irmã, o nome dela é Duda…— minha mãe fala chegando perto de mim e eu só travei naqueles olhos pretos inchados de tanto chorar cravados no meu…