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A paixão proibida do dono do morro

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intro-logo
Blurb

Aos dezessete anos, Duda perde a única pessoa que teve em toda a vida. Sem família, sem profissão e apenas com um mês de aluguel pago, ela acredita que enfrentará o mundo completamente sozinha, até descobrir, na saída do cemitério, que o pai que nunca conheceu está vivo e disposto a levá-la para a Rocinha. É nesse novo mundo que ela conhece o verdadeiro herdeiro daquela casa: o filho da atual esposa de seu pai, criado por ele desde criança e reconhecido por todos como seu filho, embora entre os dois nunca tenha existido qualquer laço de sangue. Respeitado, temido e dono do morro, ele aprendeu a proteger tudo o que considera seu, mas jamais imaginou que a chegada de Duda mexeria tanto com ele. Enquanto Duda tenta descobrir por que sua mãe passou dezessete anos escondendo a verdade, os dois precisarão enfrentar o peso de uma família construída pelo coração, as regras impostas pelo morro e um sentimento que nunca deveria existir. Porque, para todos ao redor, eles são irmãos. Mas o sangue jamais os uniu, e talvez esse seja justamente o maior perigo de todos.

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Capítulo 01
Duda narrando Hoje é o pior dia da minha vida. Hoje eu perdi minha mãe, a única pessoa que eu tinha por mim em toda a minha vida. Sempre foi nós duas pra tudo, eu nunca tive outra pessoa além dela nessa vida. Ela nunca me deixou conhecer o meu pai. A única coisa que eu sei dele é que ele mora na rocinha, e mais nada além disso. O que me deixa desesperada, porque eu nunca fui em uma favela, minha mãe nunca permitiu que eu subisse num morro, e isso me apavora porque ele agora é a única pessoa que eu tenho a recorrer. E eu sempre quis conhecer o meu pai, sempre quis saber o porque ele não quis contato comigo, porque minha mãe tinha tanta raiva dele, porque ele me virou as costas, se é que ele realmente me virou as costas, porque eu sei que minha mãe também não era e nunca foi nada fácil, pelo contrário… Eu tenho 17 anos, não tenho uma formação ainda, não tenho uma profissão, acabei de terminar o ensino médio e passar com uma bolsa 100%, pra faculdade de contabilidade, que eu sempre amei. Eu vi do dia pra noite a minha vida virar de cabeça pra baixo e me deixar sem rumo. Eu nunca fui de me abater por nada, sempre lutei, sempre corri atrás, sempre fui em busca dos meus objetivos, mesmo sendo muito nova. Mas agora tudo o que eu tenho é uma pensão que eu vou dar entrada ainda, e um mês de aluguel pago na casa onde eu morava com a minha mãe que por sorte ela deixou adiantado. Agora eu estou aqui, saindo do cemitério sozinha com um buquê de flores brancas na mão que ganhei do patrão dela e uma recisão na conta do seu antigo trabalho. — e Duda, você por você agora…— eu murmurei pra mim mesmo secando as lágrimas do rosto Quando de repente um carro preto parou na minha frente e saíram três homens lá de dentro, e um deles não precisou abrir a boca pra me fazer cair no choro — eu sinto muito, eu queria ter participado da sua vida, e me apresentado pra você em outra circunstância, mas sua mãe nunca permitiu…— eu olho nos olhos daquele homem e ele não precisava se apresentar, eu já sabia quem ele era Meu pai, os mesmos olhos, o mesmo sinal atrás da orelha, o mesmo jeito de andar, a minha cara numa versão masculina, e bem mais velha — eu vou te dar tempo pra me perguntar o que quiser, mas a partir de hoje sou eu quem vou cuidar de você, minha filha — ele fala me abraçando e eu desabo nos braços dele Eu sempre quis saber como ele era, porque a minha mãe não me deixou conhecê-lo, eram tantas perguntas mas agora eu não conseguia fazer nenhuma delas — vem comigo, você deve estar cansada e eu não posso ficar muito tempo na pista — ele fala me puxando pra dentro do carro e eu só o acompanho sem forças pra falar nada, pra retrucar ou pra qualquer discussão. Eu realmente estava cansada, muito cansada, desesperada, e com muito medo. Eu não sabia como seria a minha vida a partir de agora, o que eu faria nos meus próximos dias, pra onde eu iria, e como seria tudo, os meus sonhos, meus objetivos, minha vida… era tudo um grande ponto de interrogação Um menino dirigia o carro enquanto o meu pai não me soltava dos seus braços, ele ficou o tempo todo agarrado em mim, e eu em silêncio absoluto, eu já estava num estado que nem conseguia mais chorar. Eu sentia a respiração dele densa, pesada, ele trêmulo tanto quanto eu, mas eu não conseguia focar em nada, eu só lembrava das últimas palavras da minha mãe: “ eu te amo, filha! Tudo o que eu fiz foi tentando te dar um futuro melhor”, e então ela fechou os olhos nos meus braços e meu mundo perdeu toda a cor. Eu não sabia o porque ele não podia ficar muito tempo na pista, eu não sabia o que significava essas coisas, e apesar de ser cria do rj, eu sempre fui criada numa bolha, então pra mim é muito difícil entender certas coisas porque eu nunca pude ser livre, fui criada como uma soldada, tudo eu dava satisfação, tudo eu fazia certinho, não podia sair de casa sem a minha mãe, não podia fazer nada, nem mesmo dormir na casa de amigas da escola, nada disso. Eu nunca fui rebelde, principalmente porque eu sabia que eu só tinha a minha mãe por mim, e que ela fazia o melhor que podia, mas várias vezes ela já me deixou sozinha em casa pra sair, até mesmo trancada pra não ter chances de fugir, ou como ela dizia, era pra minha segurança. Mas pra mim isso nunca fez sentido, não morávamos num bairro r**m, não vivíamos m*l, não tinha perigo no lugar que morávamos e mesmo assim ela sempre foi extremante protetora comigo. Algo sempre me disse que esse medo todo não era do perigo da rua, era medo de talvez esse homem que está do meu lado agora aparecer… — chegamos, você tá se sentindo bem ? — ele fala comigo e eu desperto dos meus pensamentos e vejo que estávamos na frente de uma casa que eu jamais imaginei ver na favela Uma casa enorme, três andares, linda. Toda cinza e branca, com um quintal enorme, muro alto, e muitos, muitos seguranças na frente da casa armados até os dentes — olha eu sei que você deve estar assustada, mas eu prometo te contar tudo o que você quiser saber — o meu pai fala e eu sacudo a cabeça e volto a olhar pra ele — primeiro, qual seu nome ? O meu é Maria Eduarda — eu falo e ele da risada — eu sei seu nome meu amor, eu sei tudo sobre você — ele fala colocando uma mecha do meu cabelo atrás da orelha — fui eu que te registrei, dei seu primeiro banho, troquei sua primeira fralda — ele fala com os olhos cheios d’água — eu sei que você não tem como lembrar de nada disso, mas eu jamais me esqueci, nem mesmo por um dia…— ele fala emocionado e vejo uma mulher muito bonita sair no portão e parar com um sorriso no rosto — me desculpa, eu tenho tantas perguntas…— eu falo com ele suspirando e ele concorda secando os olhos — e você vai poder fazer cada uma delas, eu vou responder tudo com a maior sinceridade do mundo — ele fala tentando sorrir mas ele parecia tão machucado por dentro — a propósito, me chamo Henrique, mas ficaria muito feliz se me chamar de pai…— ele fala abrindo a porta do carro e desço junto com ele — meu deus como você é linda — a mulher me puxa para um abraço — eu sinto muito menina, muito mesmo, mas você pode contar conosco pra tudo, essa é sua nova casa, e eu fiz um bolo quentinho, você deve estar com fome — ela fala e já sai me puxando pra dentro e eu olho pra trás vendo aqueles homens armados todos me encararem Mas bastou apenas um olhar do meu pai que todos desviaram no mesmo instante. Eu ainda não sabia onde eu estava, ainda doía a morte da minha mãe, mas quando eu entrei naquela casa, não sei explicar, mas algo em mim mudou. Parecia que eu estava sendo abraçada por aquele lugar, tinha cheiro e jeito de lar que minha casa nunca teve, e isso parecia tão bizarro pra mim… — vem minha filha, senta aqui, você já comeu ? — a mulher pergunta e eu n**o ainda meio perdida — calma amor, ela acabou de chegar — meu pai fala abraçando a mulher de lado e ela sorri gentil pra ele Aquilo era bizarro pra mim, porque só me deixava com mais questões na mente — ela sempre fala muito desse jeito mesmo, mas você vai gostar dela, eu espero…— meu pai fala e eu tento ser simpática mas estava muito difícil, eu tinha acabado de enterrar a minha mãe — desculpa, eu tô passando por um momento difícil, eu amei a casa de vocês, e o bolo parece estar uma delícia, mas se não for abuso, eu posso tomar um banho ? — eu pergunto incomodada por estar com aquela roupa de cemitério depois de toda correria que foi o meu dia — claro meu amor, vou te mostrar o seu quarto, eu comprei algumas roupas hoje pra você quando soubemos de tudo, mas depois você compra tudo do seu jeito — a mulher fala e vai me guiando para o andar de cima A casa era linda, digna de um filme, parecia um mundo completamente paralelo, era muito luxuoso mas sem perder o jeito de lar, de aconchego — esse é se quarto, se precisar de algo é só me chamar, me chamo Cléo, ou pode chamar de tia — ela fala da porta e eu vejo que realmente aquele quarto parecia ter sido feito pra mim — obrigada — eu falo sem jeito e ela se retira fechando a porta Eu começo a andar por ali e algo chama a minha atenção na mesma hora — isso… isso sou eu ? Mas como ? — eu vejo fotos da minha formatura que ninguém tinha, fotos que eu nunca vi Foto minha com o papel da bolsa da faculdade, e não só a formatura do ensino médio, mas fotos de todas as formaturas que já tive na vida — será que ele sempre esteve ali ? Mas como ? — eu falei sozinha e senti minha garganta secar na mesma hora Comecei a ouvir várias motos no portão e em seguida barulhos dentro de casa, uma falação alta e ouvi a palavra que no impulso me fez sair do quarto na mesma hora indo na direção das vozes — coe pai, tu é maior mala, namoral mesmo…— eu ouço a voz de um homem e quando paro na ponta da escada vejo ele subindo e meu ar sumiu dos pulmões no mesmo instante…

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