Capítulo cinco.

1205 Words
O dia seguinte precisei m***r a primeira aula para ir a terapia. Meu coração estava sufocado, como se tivesse dentro de uma caixa, apertadinho. Eu queria ter convencido ela que não era uma boa ideia, mas também não tinha como ajuda-la caso ela resolvesse ficar com o bebê. Então, o que eu podia fazer? Estava em uma viela. As lágrimas ameaçaram cair ainda fora do consultório, as 8h30 da manhã e então eu percebi o quanto estava fragilizada. Quando a recepcionista chamou meu nome eu levantei de supetão, ansiosa para entrar no consultório. A psicóloga estava sentada atrás do seu balcão, com um sorriso no rosto. Ela notou meu semblante triste e perguntou assim que eu me sentei: – Quer falar sobre essa tristeza nos seus olhos? – Acho que cometi um erro h******l. Comecei a contar tudo que havia acontecido. Ela ouviu tudo com muita atenção e quando eu acabei, ela simplesmente aquiesceu. – É isso? Não vai dizer nada? – O que você espera que eu diga? – Indagou, suavemente. – Não sei. Mas precisa dizer alguma coisa, porque esperei a semana inteira para contar isso para você. – Kylie, você precisa parar de me atribuir a um “Deus”. O que eu penso não deveria importar para você, eu não deveria ter o poder de controlar o que você pensa a respeito de si mesma. Meu dever como sua psicóloga é te ajudar a enfrentar seus medos e descobrir por que eles existem e como surgiram. Você me disse que se sente terrível pelo o que fez, que acha que pode ter cometido um erro e se você pensa assim, eu não tenho que te fazer mudar de ideia, se isso vai contra seus princípios você está certa em se repugnar e se arrepender. Mas, o que eu posso dizer como sua psicóloga é que se perdoe e entenda que você agiu como uma amiga e que provavelmente, ela faria isso sozinha da mesma forma. Eu engoli em seco. Para quem não ia dizer nada, até que ela tinha um discurso bem bonito. – Me desculpa, eu só... Eu te tenho como uma referência, só isso. – Respondi. – Sim e eu fico inteiramente lisonjeada. Mas você precisa começar a pensar sozinha, se não passará a vida refém do que outras pessoas pensam de você, nem que a outra pessoa seja somente eu. Você não precisa da minha aprovação. Se você acha que fez o certo, então abrace isso. Se acha que cometeu um erro, bom, se arrependa e lide com isso. Eu abaixei minha cabeça. – Eu sei que você tem medo. Eu sei que é difícil, como se estivesse sempre pisando em ovos. Você age como se precisasse ser perfeita para não magoar as pessoas que estão ao seu redor, mas se não se livrar desse fardo logo, isso vai acabar matando você. – Ela afirmou, olhando nos meus olhos – Eu conversei com seus pais na sexta passada. – Disparou. – Sério? – Perguntei. – Sim. Comentei que você estava muito melhor, disse até que estava pensando em te dar alta. Eu arregalei os olhos, assustada. – Mas agora, acho que não posso fazer isso. De alguma forma, eu me senti muito aliviada quando ouvi isso. – É preocupante porque tenho a impressão que você sabe exatamente quando está melhorando e começa a piorar de propósito. – E por que eu faria isso? – Retruquei, claramente chateada com o que havia escutado. – Porque você tem medo de ter que lidar com seus problemas sozinha. Eu abaixei minha cabeça. Ela tinha razão, como sempre. – De agora em diante vamos tratar isso, tudo bem? Eu fiz que sim com a cabeça. Voltei chorando o percurso inteiro da volta. Foi meu pai quem veio me buscar dessa vez. Isso quase nunca acontecia, mas por acaso ele estava perto e passou até lá para me pegar. Ele me viu chorando no banco de trás, mas para minha felicidade, preferiu não dizer nada. Papai era muito gentil, apesar da sua casca grossa. As vezes eu tinha a impressão que ele simplesmente não entendia que eu havia crescido, então de vez em quanto ele me tratava como criança. – Está tudo bem? – Ele resolveu perguntar, quando já estávamos em frente ao colégio. Ele haveria de voltar para o trabalho assim que eu descesse do carro. Eu funguei e disse que sim. – Não é nada demais. Obrigada pela carona! – Falei depositando um beijo na sua bochecha. Quando entrei na sala, tomei o maior susto quando vi Julia sentada na cadeira. Como assim ela já estava no colégio? Apressei o passo e fui até onde ela estava. – Você enlouqueceu? Ela ergueu uma sobrancelha, e me lançou um olhar de brava. Eu não me importava que ela estivesse brava, me importava com a sua saúde. – O médico disse que precisa de repouso absoluto! Eu pesquisei na internet. Precisa de pelo menos duas semanas, Julia. – Vai gritar ou o que? – Ela perguntou e eu diminuí o tom de voz. – Desculpa – Respondi. – O que está fazendo aqui? – Meu tio não me deixou faltar. – Você não disse que eu estava doente? – Disse. Mas ele sai para trabalhar de manhã e não me deixa ficar sozinha em casa, disse que não confia o suficiente em mim para isso. Eu revirei os olhos. – Pode pedir para ele para você dormir lá em casa? – Ele não vai deixar, Kylie. – Afirmou, conformada. Eu bufei, com o cérebro fritando. – Você está sentindo dor? – Perguntei – Que pergunta boba, é claro que está! Ela sorriu de lado. – Fica tranquila, bobinha. Está tudo bem, eu estou bem medicada. Não vou fazer esforço nenhum. – Eu vou te deixar em casa. Vou pedir para a mamãe nos buscar. Ela fez que sim com a cabeça. Um tempo depois, no corredor, avistei Josh. Sua feição estava mais tranquila, eu me sentia culpada pelo que havia o submetido, então pensei que poderia falar com ele, pedir desculpas novamente. Toquei seu ombro       quando ele estava de costas para mim, e quando ele virou, sorriu, o que era um ótimo sinal, significava que não estava bravo comigo. – Oi, abelhinha. – Josh, me desculpa por ontem. – Afirmei. – De verdade, eu não queria ter feito isso. – Esquece isso, Kylie. Estou bem. Só não me pede nada assim de novo, porque eu não consigo te negar nada e isso me enlouquece. Aquelas palavras ficaram ecoando no meu ouvido como uma canção. “Eu não consigo te negar nada”, era permitido eu me iludir com essas 6 palavras ou eu estava enxergando coisa onde não tinha? Não – me repreendi. Ele tem namorada. Não posso pensar nele desse jeito. – Então, quando começa as aulas? – Han? – Perguntei, quando voltei a órbita. – Você topou me ajudar nos exames finais. Ainda está de pé, né? – Claro, está. Podemos começar amanhã? – As 15h, pode ser? – Certo, fica combinado assim. Todas as terças e quintas as 15h da tarde. – Você é a melhor, Kylie! – Afirmou me dando um beijo na bochecha e indo embora.
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