Quando meus olhos abriram, ainda ardiam por causa das lágrimas secas em meu rosto. A claridade invadia o quarto pelas frestas da janela, mas eu não sentia calor algum, apenas o peso do meu corpo fraco, doente, humilhado pelo tempo em que passei trancada ali. Não conseguia distinguir quanto tempo havia se passado desde que ouvi a conversa, fui descoberta e tudo na minha vida virou ao avesso. Eu tentava me mexer devagar, com a respiração curta, sentindo os ossos doloridos. A porta abriu com violência, e minha mãe e meu pai entraram como se fossem juízes diante de uma ré perigosa. Bea veio logo atrás deles, de braços cruzados, com olhar frio e um sorriso torto que me fez sentir vontade de vomitar. Eles perguntaram o que eu tinha ouvido, porque estava escutando atrás da porta, se alguém tinh

