Eu sou o Cobra, tenho vinte e oito anos na cara, sub dono do Jacarezinho, braço direito do Serpente—meu irmão de vida, o dono dessa p***a toda. Crescemos juntos, sobrevivemos juntos e enterramos quem amamos juntos. Aqui no morro, ninguém escolhe o destino. A gente só aprende a engolir ele, do jeito que vier. E o meu começou no dia que eu nasci… ou melhor, no dia que a minha mãe morreu. Minha mãe era aquela mulher forte, dessas que ninguém esquece, que sempre ajudava todos aqui do morro, sem olhar a quem ajudava. Dizem que eu sou a cara dela, mas nunca me acostumei com essa comparação porque dói. Ela morreu dando à luz a Patrícia, minha irmãzinha, a Paty, que hoje está uma mulher linda e feita. Naquele dia, enquanto ela sangrava, pediu para o meu pai jurar que ia cuidar da gente. E pediu p

