A gente ainda estava na sala, Miguel não estava longe, nossas conversas eram leves e ele fazia toda a situação que estávamos ficar bem mais fácil de lidar, com um sorriso sempre largo e contagiante.
Mas minha cabeça hora ou outra vagava até meus pais.
— Miguel... — Chamei vendo-o me olhar. — Como eu voltei a falar com meus pais?
Ele respirou fundo, pareceu pensar bem e deu pausa no filme.
— Você ficou doente uma vez... pneumonia! — Respirou fundo mais uma vez. — Pietro os avisou e logo sua mãe estava lá, com medo de você morrer e não perdoa—lá... Seu pai também teve medo, e quando você ficou melhor eles estavam lá
— Foi fácil assim?
— Não! — Disse rindo. — Você surtou com eles, gritou, xingou e os mandou embora, com muita conversa nossas e com seu irmão, Alex e Sarah também ajudaram te convencer a escutar eles. Assim você os chamou aqui, e conversaram por horas, e você disse que tentaria perdoar. Mas não garantia nada, depois de um ano vocês ficaram bem.
— Um ano?
—Por você, seria nunca! — Falou rindo. — Você não queria ver eles e nem saber deles, mas eu achava importante você ser próximo aos seus pais. Afinal eles ainda estão aqui, para você!
Ele disse sorrindo, mas seu olhar denunciou uma certa tristeza.
— E os seus? — Arrisquei e vi ele suspirar.
— Meus pais faleceram em um ataque ao hospital que eu nasci, no dia do meu nascimento ambos foram mortos, e eu fui criado por meus tios...— Disse de forma vaga. — Eu não os conheci, mas já me falaram tanto deles que sinto, como se eles fizessem parte da minha vida.
— Tenho certeza que te amaram muito.
— Todos dizem que sim..., Mas fazer o que... A vida nos tira coisas que não entendemos, mas nos dá coisas que por mais que não acreditemos, nós merecemos! Por isso ganhei você!
Senti meu rosto esquentar, e um sorriso pequeno se formar, eu realmente queria me lembrar daquele amor.
— Eu sinto muito, por não lembrar de você...— Confessei sentindo as lágrimas descerem.
— Não sinta... isso me dá a oportunidade de te reconquistar! — Falou tocando meu rosto. — Da primeira vez eu fiquei com medo, e enrolei muito. Mas agora, não vou cometer esse erro, e vou te reconquistar!
— E se eu nunca me lembrar?
— Nós criamos novas lembranças... Eu não me importo, desde que tenha você!
— Assim me deixa sem palavras...
— Essa é a intenção! — Ele sorriu novamente e eu o acompanhei, ele parecia tão determinado, tão encantador... tão certo!
Por que, eu não podia lembrar?
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