JOSH WALTER...
Depois daquele domingo na Mansão Lombardi, voltei para o hotel diferente. Não sabia explicar. Talvez fosse a alegria daquela família. Talvez fosse a forma como todos conviviam. Talvez fosse a maneira como Alice tinha sido recebida como se fosse parte deles. Ou talvez... Talvez fosse Yasmin. Durante todo o caminho de volta permaneci em silêncio. Observando as luzes da cidade pela janela. Enquanto pensamentos estranhos ocupavam minha mente.
Eu tinha crescido rodeado por homens da Máfia. Por estratégias. Por responsabilidades. Por poder. Mas naquela casa vi algo diferente. Vi amor. Vi pessoas que realmente gostavam de estar juntas. Vi gargalhadas sinceras. Vi crianças correndo. Vi paz.
E pela primeira vez em muito tempo... Senti inveja. Uma inveja boa. Daquelas que fazem nascer um sonho. Porque enquanto observava Alice dormindo nos meus braços no banco traseiro do carro... Pensei que gostaria que ela crescesse assim. Feliz.
Amada. Protegida. Sem sentir o vazio que eu senti tantas vezes.
— Senhor?
A voz do motorista arrancou-me dos pensamentos.
— Já chegámos.
Pisquei. Olhei pela janela. Hotel. Sorri discretamente.
— Obrigado.
Saí do carro com Alice adormecida nos braços. A cabeça dela repousava no meu ombro. Os pequenos dedos agarravam minha camisa. E naquele instante senti novamente aquele velho medo. O medo de falhar como pai. Porque por mais que tentasse...
Nunca saberia se estava fazendo o suficiente. Levei-a para o quarto. Coloquei-a cuidadosamente na cama. Cobri-a.
E fiquei alguns segundos observando-a dormir.
— Boa noite, princesa.
Beijei sua testa. E fui tomar banho. Precisava limpar a mente. Precisava descansar. Precisava parar de pensar em Yasmin. Infelizmente... A minha mente tinha outros planos. Porque assim que fechei os olhos enquanto a agua caia sobre mim...
Lembrei-me dela. Do sorriso. Dos olhos. Da forma como ria. Da maneira como pegava Alice ao colo. Da forma como parecia forte e delicada ao mesmo tempo... Aquela boca que parecia ter sido desenhada para mim...
— Maldição...
Murmurei. Abri os olhos, e estava de p*u duro... Passei as mãos pelo rosto. E comecei a rir sozinho. Porque aquilo era ridículo. Eu só a tinha visto duas vezes. Duas!. Mas parecia que a mulher tinha alugado espaço permanente dentro da minha cabeça. E o pior? Eu nem sequer tinha o número dela. Na manhã seguinte tomei uma decisão. Precisava vê-la novamente. Nem que fosse apenas para confirmar que estava ficando maluco... Tambem queria saber se ela tambem se sentia assim em relaçao a mim...
Quando cheguei à clínica fui recebido pela recepcionista.
— Posso ajudá-lo?
— Procuro a Doutora Yasmin.
Ela pareceu reconhecer-me imediatamente. Talvez por causa da Alice. Talvez porque um homem da minha altura fosse difícil de esquecer.
— Ela está a trabalhar.
— Posso falar com ela?
— Vou perguntar.
Assenti. Enquanto esperava, tentei ignorar o nervosismo completamente absurdo que estava sentindo. Porque eu negociava contratos bilionários sem pestanejar, ja entrei em missoes que pareciam impossiveis sair vivo e sai ileso... Mas uma médica conseguia deixar-me inquieto. Aquilo era humilhante.
YASMIN...
Assim que o telefone tocou no meu gabinete atendi distraidamente.
— Doutora Yasmin?
— Sim?
— Tem uma visita.
— Quem?
A resposta veio imediatamente.
— Senhor Josh Walter...
Meu coração quase saiu pela boca. Literalmente.
— O quê?
A recepcionista repetiu. Como se isso ajudasse. Não ajudou. Nem um pouco...
Assim que desliguei fiquei olhando para o telemóvel. Paralisada.
— Calma, Yasmin.
Murmurei.
— Pelo amor de Deus.
Passei as mãos pelo cabelo.
— Pareces uma adolescente.
Levantei-me. Voltei a sentar-me. Levantei-me novamente. Sentei-me outra vez. Ridículo. Completamente ridículo. Mas o meu coração parecia ter decidido correr uma maratona. Então ouvi uma batida na porta.
— Entre.
A voz saiu mais aguda do que deveria. Maldição. A porta abriu-se. E então ele entrou. Meu Deus!. Quem permitiu aquilo?
Quem autorizou um homem a ficar tão bonito? Porque aquilo já estava virando falta de respeito. Calças azul-escuras. Camisa branca impecável. Mangas ligeiramente dobradas. Relógio elegante. O colar discreto aparecendo no pescoço. O cabelo perfeitamente arrumado. E aquele sorriso. Pronto. Acabou comigo. Fiquei olhando. Simplesmente olhando hipnotizada Durante tempo demais.
Até que ouvi a voz dele.
— Doutora Yasmin...
Pisquei.
— Hm?
— Desse jeito vou achar que estou desarrumado.
Meu coração falhou um compasso.
— O quê?
— Está a olhar para mim há quase um minuto.
E não disse uma palavra. O sorriso divertido dele tornou tudo pior. Muito pior. Meu rosto aqueceu instantaneamente.
— Meu Deus.
Tapei o rosto.
— Que vergonha.
Ele começou a rir. E eu tive vontade de desaparecer. Levantei-me rapidamente.
— Bem-vindo, Senhor Walter.
Estendi a mão.
— Em que posso ajudá-lo?
Ele segurou minha mão. E por alguma razão não a soltou imediatamente. Apenas ficou ali. Olhando-me. Como se estivesse tentando memorizar alguma coisa. Então finalmente falou.
— Vim convidá-la para almoçar.
Pisquei. Uma vez. Duas. Três perdida...
— Almoçar?
— Sim.
— Hoje?
— De preferência.
Comecei a rir.
Porque aquilo era tão direto que me apanhou completamente desprevenida.
— Isso costuma funcionar?
Perguntei... Ele sorriu.
— Não faço ideia.
— Nunca tentou antes?
— Desta forma? Não.
— Então sou uma experiência?
— Não.
O sorriso desapareceu. E o olhar ficou mais intenso.
— És uma exceção.
Ele se aproximou de mim aos poucos, e eu por instinto dei um passo para tras e a mesa atras me mim broqueo-me, sem ter para onde fugir... E o Josh nao recuava. Ele se aproximou tanto que os nossos rostos estavama quase colados, e eu sentia a sua respiraçao no meu rosto. Ele estava inclinado para me alcançar... e desviou o rosto para o meu ouvido e falou rouco: — E ai?...
Eu senti o halito quento no meu pescoço, e aquilo me fez arrepiar, as minhas pernas quase cederam...
E o desgraçado percebeu a minha vulnerabilidade... Apertou a minha cintura me colando nele com firmeza, num gesto de posse... E com a outra mao afastou os meus cabelos do meu rosto... e agarou o meu pescoço com gentileza e tomou os meus labios com urgencia e possessividade...
E eu sem conseguir resistir tentei acompanhar o ritmo dele, ate o que o beijo foi desacelerando se tornando terno e calmo, e carinhoso...
Nem sei quanto tempo passou, ate que as batidas na porta nos tiraram do foco... Eu o afastei por instinto mas, ele sem sequer se moveu um centimetro, parecia uma montanha, entao olhei em seus olhos suplicante... Ele sorriu e segurou o meu rosto com as duas maos e deu-me um selinho carinhoso e se afastou e sentou na poltrona... Entao forcei a voz, ajeitando a minha bata, tentando disfarçar o nervosismo como se tivesse acabado de cometer um crime: — Entre...
A enfermeira entrou me trazendo os relatorios que havia pedido mais cedo... Ela olhou-me e olhou para Josh, que parecia pleno munido de qualquer sentimento... E eu a dispensei rapidamente... Quando ela saiu tentei me acalmar...
Pronto. Agora quem precisava de ajuda médica era eu. Porque o meu coração claramente tinha parado de funcionar. Fiquei em silêncio durante alguns segundos. Depois respirei fundo.
— Tenho uma hora de almoço.
O sorriso dele voltou. Mais bonito. Mais perigoso.
— Ótimo.
Peguei minha bolsa. Minha bata. E tentei agir normalmente. Tentei. Falhei completamente. Porque enquanto caminhávamos lado a lado pelo corredor.. Só conseguia pensar numa coisa. A minha vida estava prestes a ficar muito mais complicada. E estranhamente...
Eu estava ansiosa por isso...