CAPITULO 26:Obsessão e Sombras...

630 Words
SIMON... Dizem que só damos valor a alguma coisa quando a perdemos. Durante muito tempo achei que isso era apenas uma frase bonita. Uma daquelas coisas que as pessoas dizem para parecerem profundas. Hoje sei que não. Hoje sei que é verdade. Porque todas as manhãs eu acordava pensando na mesma pessoa. Roksana. E todas as noites ia dormir pensando nela também. O problema era que agora ela já não era minha. Talvez nunca tivesse sido. Mas eu só comecei a perceber isso depois que a perdi. Depois daquela festa. Depois daquele vídeo. Depois daquela humilhação. Depois de tudo. Passei a mão pelo rosto. Olhei para o teto do apartamento. E soltei um suspiro pesado. Eu estava cansado. Cansado de procurar. Cansado de tentar. Cansado de ser ignorado. Mas ainda não conseguia desistir. Porque a imagem dela continuava aparecendo na minha cabeça. O sorriso. Os olhos. A forma como me olhava antes. E principalmente... A forma como deixou de olhar. Isso era o que mais doía. Porque quando uma mulher ainda ama, ela discute. Ela grita. Ela chora. Ela luta. Mas quando deixa de amar... Fica indiferente. E a indiferença dela estava me matando. Nos últimos dias tentei encontrá-la várias vezes. Passei perto do estágio. Passei perto do apartamento. Passei perto dos cafés que ela costumava frequentar... Nada. Ou ela não aparecia. Ou eu chegava tarde. Ou simplesmente não tinha coragem de me aproximar. Porque a verdade era uma só. Eu tinha medo. Medo de ouvir novamente aquele "não". Foi então que meu telemóvel vibrou. Mensagem. Franzi o cenho. Número desconhecido. Abri. E imediatamente fiquei imóvel. Era uma fotografia. Roksana. Sentada num restaurante. Sorrindo. Mas não estava sozinha. O homem da fotografia aparecia apenas de costas. Mesmo assim reconheci imediatamente. Era ele. O tal Pietro. Meu maxilar travou. Porque nunca tinha visto Roksana sorrir daquele jeito para mim. Nunca. E isso me deixou mais furioso do que deveria. Muito mais. Olhei novamente para a fotografia. Depois para a mensagem. Não havia texto. Nada. Apenas a imagem. Como se alguém quisesse me mostrar aquilo. Como se alguém quisesse me provocar. Ou me avisar. — Quem diabos enviou isto? Murmurei. Tentei ligar. Número inexistente. Tentei responder. Nada. Desligado. Meu estômago revirou. Porque aquilo era estranho. Muito estranho. E pela primeira vez percebi uma coisa. Eu não era o único observando Roksana. Levantei-me imediatamente. Algo estava errado. Muito errado. Porque eu conhecia obsessão. Conhecia pessoas que não aceitavam rejeição. Conhecia homens que confundiam amor com posse. E aquela mensagem tinha exatamente esse cheiro. O cheiro de alguém que estava ultrapassando limites. Pela primeira vez desde a separação... Meu orgulho desapareceu. Porque não pensei em reconquistá-la. Não pensei em mim. Não pensei em Pietro. Pensei apenas nela. E numa pergunta simples. Ela estava segura? Passei a mão pelos cabelos. E senti um arrepio estranho. Porque por mais que eu odiasse admitir... Se alguma coisa acontecesse com Roksana... Eu nunca me perdoaria. Nunca. Enquanto isso, em outro lugar da cidade... Alguém observava fotografias espalhadas sobre uma mesa. Fotografias de Roksana. Fotografias do apartamento dela. Fotografias do carro. Fotografias do restaurante. E no meio delas... Uma fotografia de Pietro. Apenas as costas. Mas mesmo assim a imagem tinha sido riscada várias vezes com uma caneta preta. Uma. Duas.Dez. Vinte. Até quase rasgar o papel. Uma mão surgiu. Pegou a fotografia. E uma voz baixa quebrou o silêncio. — Ela devia ter escolhido a pessoa certa. A fotografia foi amassada lentamente. Com cuidado. Com raiva. Com obsessão. — Ainda há tempo. O sorriso que surgiu em seguida não tinha nada de normal. Nada. E naquele instante... Sem que Roksana soubesse. Sem que Pietro soubesse. Sem que Simon soubesse. Uma nova peça começava a mover-se no tabuleiro. E essa peça era muito mais perigosa do que todos imaginavam.
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