CAPITULO 12:As Sombras da Inveja...

1043 Words
EVELYN... Depois daquela confusão na festa da faculdade, tudo aconteceu tão depressa que nem tive tempo de processar. Num momento estava dentro do salão. No outro, toda a minha vida tinha sido destruída diante de centenas de pessoas. Colegas. Professores. Amigos. Conhecidos. Todos. Todos tinham visto. Todos. Quando vi Simon correr atrás da Roksana, eu também corri atrás dele. Ignorei os olhares. Ignorei os comentários. Ignorei os cochichos. Ignorei tudo. Porque naquele momento só havia uma pessoa que me importava. O Simon... Quando cheguei à entrada do salão, encontrei-o desesperado. Olhando para todos os lados. Chamando o nome dela. Procurando-a como um homem que tinha acabado de perder algo importante. Ou alguém importante. Meu coração apertou. Mas ainda assim aproximei-me. — Simon... Ele nem olhou para mim. — Simon. Segurei o braço dele. — Deixa-a respirar um pouco. Finalmente ele virou-se. — O quê? — Se fores atrás dela agora, ela não vai ouvir nada... Está de cabeça quente. Precisa de tempo para assimilar tudo. Achei que estava sendo razoável. Achei que estava ajudando. Mas a forma como ele me olhou... Meu Deus. Foi como se eu fosse um inseto. Algo desprezível. Algo que ele queria esmagar. Até hoje nunca tinha visto aquele olhar. Nem quando discutíamos. Nem quando ele ficava irritado. Nem quando estava zangado. Aquilo fez-me tremer. Porque pela primeira vez... Tive medo dele. — Fica longe de mim. A voz dele saiu seca. Fria. Cortante. Ele arrancou o braço da minha mão com brutalidade. E afastou-se. Sem olhar para trás. Sem sequer hesitar. Fiquei parada. Sozinha. Olhando as costas dele desaparecerem na escuridão. E pela primeira vez naquela noite... Senti-me verdadeiramente abandonada. Acabei chamando um táxi. A viagem até casa pareceu durar horas. Quando cheguei, a televisão ainda estava ligada. Minha madrasta estava na sala. Como sempre. A mulher parecia alimentar-se da infelicidade alheia. Assim que me viu entrar soltou um sorriso irónico. — A festa acabou cedo? Continuei andando. — Ou a tua amiga finalmente cansou-se de ti? Não respondi. Não tinha forças. Subi as escadas. Entrei no quarto. Tranquei a porta. E desabei na cama. As lágrimas vieram imediatamente. Sem aviso. Sem controlo. E o pior? Nem sabia exatamente por que estava chorando. Era vergonha? Era humilhação? Era medo? Era tristeza? Talvez fosse tudo junto. Virei-me para o teto. E comecei a pensar. Porque quando estamos sozinhos... Não há para onde fugir. A verdade aparece. Mesmo quando não queremos vê-la. Quando conheci a Roksana... A nossa amizade era real. Pelo menos no início. Disso tenho certeza. Porque ela era diferente. Não parecia rica. Não parecia arrogante. Não parecia uma dessas meninas que humilham os outros. Era simples. Gentil. Educada. E eu gostava dela. Gostava mesmo. Naquela época eu acreditava que éramos parecidas. Duas raparigas normais. Duas amigas. Nada mais. Até o dia em que fui à casa dela. Ainda me lembro perfeitamente. Quando o carro passou pelos portões fiquei confusa. Achei que ela trabalhava lá. Ou que a mãe dela trabalhava. Qualquer coisa. Menos aquilo.Porque a casa era uma mansão. Não. Parecia um palácio. E quando descobri que ela era dona daquele mundo... Algo mudou dentro de mim. Algo pequeno. Mas perigoso. Inveja. Primeiro foi apenas curiosidade. Depois admiração. Depois comparação. E finalmente inveja. Porque tudo parecia fácil para ela. Tudo. A família perfeita. A casa perfeita. Os carros perfeitos. As roupas perfeitas. A vida perfeita. Enquanto eu... Eu voltava para casa. Para uma madrasta que m*l me suportava. Para um pai que trabalhava tanto que m*l me via. Para uma vida onde tudo parecia mais difícil. E pouco a pouco comecei a odiar aquilo. Odiar a sorte dela. Odiar a felicidade dela. Odiar a facilidade dela. Mesmo sabendo que não era culpa dela. Quando Simon apareceu... Foi ainda pior. Porque ele era bonito. Muito bonito. E atencioso. Carinhoso. Engraçado. E completamente apaixonado pela Roksana. Ou pelo menos era isso que eu acreditava. E eu queria aquilo. Queria alguém olhando para mim daquela forma. Queria alguém me escolhendo daquela forma. Queria ser eu. Não ela. Foi então que comecei. Primeiro pequenos comentários. Depois pequenos toques. Pequenos sorrisos. Pequenas provocações. Nada evidente. Nada que chamasse atenção. Mas suficiente. E funcionou. Funcionou muito bem. Porque homens são previsíveis. Especialmente Simon. Quando percebi que a Roksana continuava esperando o momento certo para avançar na relação... Vi a oportunidade perfeita. E aproveitei. Sem remorsos. Sem culpa. Sem pensar nas consequências. Porque naquele momento eu só queria vencer. Só queria provar que podia tirar algo dela. Qualquer coisa. E consegui. Ou pelo menos pensei que tinha conseguido. Porque hoje... Quando Simon me olhou com desprezo... Percebi algo horrível. Eu nunca fui a escolha dele. Nunca. Fui apenas a opção disponível. A alternativa conveniente. Nada mais. E aquilo... Aquilo doeu muito mais do que eu imaginava. Ainda assim tentei convencer-me de que tudo ficaria bem. Que ele precisava de tempo. Que estava zangado. Que voltaria. Que me procuraria. Que finalmente ficaríamos juntos. Passei dias acreditando nisso. Depois semanas. E nada. Absolutamente nada. As chamadas não eram atendidas. As mensagens ficavam sem resposta. Simon desapareceu. Como se eu nunca tivesse existido. Como se aqueles anos juntos nunca tivessem acontecido. E isso destruiu-me. Um mês passou. E então apareceu outro problema. Numa manhã acordei enjoada. Muito enjoada. Tonta. Fraca. Passei o dia inteiro na cama. Mentindo para a minha madrasta. — É só o período. Mentira. Porque o meu período estava atrasado. Muito atrasado ha duas semanas. Talvez mais. Sentei-me na cama. O coração acelerado. As mãos tremendo. E uma pergunta instalou-se na minha cabeça. Uma pergunta que não me deixou respirar. E se eu estiver grávida? O silêncio do quarto pareceu esmagar-me. Porque pela primeira vez... Depois de tudo. Depois da traição. Depois da humilhação. Depois de perder Simon. Depois de perder Roksana. Percebi que talvez o pior ainda estivesse por vir... Entao sai para a farmacia para comprar um teste de gravidez... Mas eu nao podia fazer aquilo em casa... Entao pedi para fazer no banheiro da farmacia mesmo... E a verdade foi escancarada na minha cara... Eu estava realmente gravida... O meu primeiro pensamento depois do panico que senti sem saber o que fazer, foi procurar o Simon... Tenho de ir ao apartamento dele, ja que ele nao atende as minhas ligaçoes...
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