Piper acabou entrando no carro.
Mesmo tentando resistir.
Mesmo dizendo três vezes que conseguia voltar sozinha.
Dean simplesmente abriu a porta do passageiro e ficou esperando ela entrar com aquela expressão teimosa e irritantemente segura.
E no fim…
Ela entrou.
O caminho inteiro foi silencioso no começo.
Piper ficou olhando pela janela enquanto tentava controlar as emoções bagunçadas dentro dela. O choro já tinha diminuído, mas os olhos ainda ardiam um pouco.
Dean dirigia com uma mão no volante enquanto a outra descansava relaxada perto da marcha.
Mas de vez em quando…
Ele olhava pra ela.
Discretamente.
Como se estivesse conferindo se ela ainda ia começar a chorar de novo.
Aquilo deixava Piper estranhamente nervosa.
— Você sempre foge quando tá m*l?
A voz dele quebrou o silêncio de repente.
Ela continuou olhando pra rua.
— Não gosto que me vejam chorando.
Dean soltou um pequeno suspiro nasal.
— Meio tarde pra isso.
Ela acabou rindo fraco.
A primeira risada sincera desde mais cedo.
Dean percebeu imediatamente.
E o canto da boca dele subiu discretamente.
— Melhorou.
Piper olhou confusa.
— O quê?
— Seu rosto.
Ela sentiu as bochechas esquentarem um pouco.
Meu Deus.
Dean conseguia deixar ela nervosa até com frases simples.
O silêncio voltou.
Mas agora estava mais leve.
Mais confortável.
— Sam queria vir junto — Dean comentou depois de alguns minutos.
— Por que não veio?
— Porque eu mandei ele ficar.
Ela finalmente olhou pra ele.
— Por quê?
Dean deu de ombros.
— Porque eu queria vir sozinho.
O coração dela tropeçou dentro do peito.
Ela desviou os olhos rapidamente de novo.
Perigoso.
Tudo nele era perigoso.
Dean percebeu o nervosismo dela imediatamente.
E gostou mais do que deveria.
— Você fica tímida fácil, né?
— Não.
— Fica sim.
Piper cruzou os braços tentando parecer séria.
— Você provoca demais.
Dean riu baixo.
Rouco.
Bonito.
— E você cora muito fácil.
Ela odiava como ele percebia tudo.
O carro entrou devagar na rua simples onde ficava a pensão.
O contraste entre o carro luxuoso de Dean e as casas humildes dali era gritante.
Piper ficou automaticamente desconfortável.
— Pode parar aqui.
Dean franziu a testa.
— Ainda falta um pouco.
— Eu sei.
Ela segurou a bolsa no colo.
— Só… para aqui.
Dean percebeu imediatamente o motivo.
Ela não queria que ele visse demais da vida dela.
Não queria parecer ainda mais pobre diante dele.
Por algum motivo estranho…
Aquilo incomodou Dean.
Porque Piper parecia sentir vergonha de si mesma.
E ela não devia.
Ele estacionou sem discutir.
O silêncio ficou estranho de novo dentro do carro.
Piper segurou a maçaneta da porta por alguns segundos antes de olhar pra ele.
— Obrigada.
Dean sustentou o olhar dela em silêncio.
Os olhos verdes de Piper ainda estavam levemente vermelhos pelo choro.
Mas ela continuava linda.
Linda pra c*****o.
E Dean estava começando a perceber uma coisa perigosa:
Ele queria continuar vendo ela.
Muito.
— Não deixa ninguém falar com você daquele jeito de novo.
A voz dele saiu mais séria agora.
Piper deu um sorriso pequeno.
Triste.
— Nem sempre dá pra evitar.
Dean travou o maxilar outra vez.
Ela abriu a porta devagar.
Mas antes de sair completamente…
Parou.
Dean arqueou levemente a sobrancelha observando ela hesitar.
Então Piper virou rapidamente na direção dele e deu um beijo suave no rosto dele.
Rápido.
Delicado.
Quente.
Como agradecimento.
O mundo de Dean simplesmente travou por dois segundos inteiros.
Piper ficou vermelha imediatamente depois de perceber o que fez.
— É… obrigada por hoje.
E saiu do carro quase correndo.
Dean permaneceu imóvel olhando ela atravessar a rua em direção à pensão.
O coração dele batia estranho.
Forte.
A sensação do beijo ainda queimava na pele.
Caralho.
Ele passou a mão devagar no próprio rosto exatamente no lugar onde Piper beijou.
E então começou a rir sozinho.
Baixo.
Sem acreditar.
Porque nenhuma mulher deixava Dean daquele jeito.
Nenhuma.
Mas aquela garota loira, tímida e humilde…
Estava começando a mexer perigosamente com ele.
Muito mais do que deveria.