O cheiro da carne assando se espalhava lentamente pela encosta da montanha.
O fogo dentro do fogão de pedra queimava de forma constante, exatamente como Clara havia planejado quando explicou a Dargan como construí-lo.
A ogra mexia a carne com um pedaço de madeira improvisado, virando cada parte com cuidado.
O calor era forte, mas a pequena cobertura feita por Dargan protegia o fogão do sol intenso da tarde.
Clara observou a estrutura com satisfação.
— Pelo menos uma coisa neste lugar funciona direito…
Atrás dela, Dargan estava sentado sobre uma pedra grande, afiando sua faca.
O som da lâmina raspando na pedra ecoava de forma ritmada.
De vez em quando, seus olhos dourados se levantavam para observar Góvia.
Ainda era estranho.
Muito estranho.
A antiga Góvia jamais teria paciência para fazer algo assim.
Ela apenas arrancaria pedaços de carne crua e comeria no chão.
Mas aquela…
Estava preparando a comida como se fosse algum tipo de ritual.
Clara pegou um pequeno punhado de sal do saco de couro que Dargan havia trazido no dia anterior.
Espalhou sobre a carne.
Depois esmagou algumas ervas que havia encontrado na floresta.
O cheiro mudou imediatamente.
Ficou mais profundo.
Mais rico.
Dargan levantou a cabeça.
— Esse cheiro de novo.
Clara respondeu sem se virar:
— Temperos.
— Ainda acho estranho.
— Comer carne crua também é estranho.
Dargan soltou um pequeno som que parecia quase uma risada.
O silêncio voltou por alguns minutos.
A carne começou a dourar lentamente.
Quando finalmente ficou pronta, Clara colocou vários pedaços sobre uma pedra lisa que havia lavado no lago.
Ela empurrou a pedra na direção dele.
— Pode comer.
Dargan pegou um pedaço grande.
Deu uma mordida.
E ficou em silêncio.
Ele mastigou devagar.
Depois deu outra mordida.
Seus olhos dourados analisavam a comida com atenção.
Clara cruzou os braços.
— E então?
Ele engoliu.
— Está melhor que ontem.
Ela sorriu de canto.
— Claro que está.
Dargan continuou comendo.
Depois falou:
— O sal ajudou.
— Eu disse.
Ele pegou outro pedaço.
— Ainda é estranho.
— O quê?
— Você.
Clara ergueu uma sobrancelha.
— Eu?
— Você mudou.
Ela deu de ombros.
— Talvez eu só estivesse cansada de viver como antes.
Dargan ficou olhando para ela por alguns segundos.
Mas não respondeu.
Quando terminou de comer, ele se levantou e pegou mais um pedaço de carne.
— Vou levar isso.
Clara apontou para a pilha restante.
— Pegue mais.
Ele franziu o cenho.
— Por quê?
— Porque ainda tem muita carne.
Dargan pegou mais dois pedaços.
Antes de sair, ele falou:
— Amanhã trago outra caça.
Clara respondeu imediatamente:
— Então amanhã você ajuda de novo.
Ele parou por um segundo.
Depois continuou andando.
Mas um pequeno sorriso apareceu em seu rosto.
Quando ele desapareceu entre as pedras da montanha, Clara suspirou.
— Isso foi melhor do que eu esperava…
Naquele momento, o sistema apareceu novamente diante de seus olhos.
Missão Concluída
Preparar refeição nutritiva para um marido.
Recompensa recebida:
+1 resistência corporal
+1 melhoria mínima na pele
+1 afinidade com Dargan
Clara caminhou até o lago próximo da caverna.
A água estava calma.
Quando ela olhou para o reflexo…
Algo pequeno havia mudado.
Muito pequeno.
Algumas manchas escuras na pele haviam clareado levemente.
Quase imperceptível.
Mas ainda assim…
Era uma mudança.
Clara tocou o próprio rosto.
— Então o sistema realmente funciona…
Ela respirou fundo.
A jornada seria longa.
Muito longa.
Mas pelo menos agora…
Ela tinha um começo.
E no alto de uma rocha distante, escondido nas sombras da floresta…
Dois olhos azul-elétrico observavam a cena.
Kael havia voltado.
E ele parecia muito interessado.