O fogo já estava aceso novamente.
Clara cortava a carne do javali com uma pedra afiada.
Dargan observava sentado sobre uma rocha.
Ela trabalhou com calma.
Separou as melhores partes.
Misturou ervas da floresta.
Usou raízes aromáticas.
O cheiro começou a se espalhar pela montanha.
Dargan respirou fundo.
— Isso é estranho.
— O quê?
— Góvia nunca fez isso.
Clara não respondeu.
Ela continuou cozinhando.
Quando terminou, colocou a carne assada sobre uma pedra limpa.
— Pronto.
Dargan pegou um pedaço grande.
Mordeu.
Seu rosto ficou sério.
Ele mastigou devagar.
Depois mastigou mais um pedaço.
Clara observava com os braços cruzados.
— Então?
Ele respondeu calmamente:
— Está bom.
Ela estreitou os olhos.
— Só bom?
Ele continuou comendo.
— Muito bom.
Ela sorriu de lado.
Mas Dargan levantou um dedo.
— Ainda falta algo.
— O quê?
— Um gosto… diferente.
Clara pensou por um momento.
Então percebeu.
— Sal.
Dargan parou de mastigar.
— Sal?
— Sim.
— O que é isso?
Clara ficou chocada.
— Você não sabe o que é sal?
Ele balançou a cabeça.
— Nunca ouvi falar.
Ela suspirou.
— É um mineral. Ele melhora o sabor da comida.
Dargan ficou pensativo.
Então falou casualmente:
— Eu tenho algo branco que os humanos vendem na cidade.
Clara virou para ele rapidamente.
— O quê?!
— Está na minha caverna.
Clara colocou as mãos na cintura.
— Você tem sal… e não trouxe?
Dargan deu de ombros.
— Eu não sabia que servia para comida.
Clara passou a mão no rosto.
— Inacreditável…