Capítulo 3

1332 Words
Guido narrando — É FESTA NA FAVELA PORRAAAAAAA.- o Gabigol entrou gritando no vestiário depois de mais um jogo que nosso time ganhou. — Bom pessoal, meus parabéns pelo jogo, mais uma taça pra nossa coleção.- ele respirou fundo.— Agora vem a parte boa, consegui quinze dias pra vocês.- o técnico falou e todos começamos a comemorar. Quinze dias pode parecer pouco, mas pra quem é jogador de futebol. Quinze dias é uma maravilha. Estamos desde do início do campeonato sem parar, tem três meses que eu minha família. E como diz o meu pai, missão dada, missão cumprida. Enfim, agora sim eu posso descansar, amanhã eu vou voltar pra casa, nem vou ficar na comemoração. Estou morrendo de saudades do meu povo, da minha casa, dos meus pais e dos meus irmãos. — Vai subir o morro Guido ?- o Gabigol me perguntou enquanto estávamos no chuveiro. — Vou irmão, tô com saudades do meu povo.- ele riu concordando com a cabeça. — E das piranhas também, né?!– neguei com a cabeça.— Quando eu voltar de Dubai, vou lá pra nós agitar aquele morro.- ele falou animado. — Já é mano, vai sim, vou te esperar no aniversário dos pirralhos na próxima semana.- ele ficou toda animado, esse cara gostava de uma farra, terminei meu banho. Ele continuou tomando o banho dele, me vesti. Falei com o resto do pessoal, peguei minha mala e fui pro aeroporto. Assim que entrei no avião, um filme passou na minha cabeça. Ser jogador profissional sempre foi o meu sonho e os meus pais sempre me incentivaram, me apoiaram. Mesmo quando eu tive que mudar pra Vargem Grande. Minha mãe chorou, sofreu, mas ela sabia que isso era importante pra mim. Eu sempre que posso, sempre que eles nos liberam, nem que seja por um ou dois dias. Eu sempre volto pra casa, minha casa é meu refúgio. Estar em família é a coisa que eu mais prezo na minha vida. Desde de pequeno que a minha casa vivia cheia, meu pai tem muitos amigos e esses amigos se tornaram irmãos. Nos tornamos uma grande família confusa e feliz. Uma família que mata e morre um pelos outros. Meus tios emprestados tiveram os seus filhos e assim como os nossos pais somos unidos. ***** Enfim aterrissei no Brasil, no caminho até o guichê de bagagem. Algumas pessoas me pararam e pediram pra tirar foto, ainda não me acostumei com isso. É estranho ver as pessoas me reconhecendo, e agradecendo pela vitória. — Você é tão lindo.- uma menina falou me apertando enquanto me abraçava. — Obrigado, agora eu tenho que ir.- falei enquanto tentava pegar o meu celular que estava tocando. Ainda tiramos mais algumas fotos. Voltei a caminhar pro guichê de bagagem respondendo minha mãe que queria saber, se eu já estava chegando, estava tão distraído que acabei batendo de frente com alguém. — p**a que pariu, você não olha para onde anda não?- ela falou revoltada. — Descul...- ela se virou pra mim, quando vi aquela ruiva na minha frente, ela deveria ter um 1,66 de altura, ela me olhou com aqueles olhos castanhos escuros.—— Foi m*l aí, eu estava distraido.- falei e ela riu de lado. — É claro que estava distraido.- ela falou puta.-- Quase me derrubou, presta mais atenção na próxima vez.- arquei a sobrancelha. — Já pedi desculpas, se não quer aceitar paciência.- fui até a esteira de bagagem. E novamente a ruiva abusada estava lá, ela estava tentando pegar uma mala cor de rosa cheia de glitter, aquela cena estava hilária. Estiquei meu braço assim que a mala voltou, peguei a mala dela e depois peguei minha. — Obrigada, mas não precisava.- falou toda marrentinha e pegou a mala dela. — De nada m*l agradecida.- ela revirou os olhos e saiu mexendo no celular. Acompanhei ela andando até a saída, linda demais. Impossível não notar e eu não era o único a reparar uma ruiva histérica falando ao telefone com alguém. Eu rindo negando quando eu cheguei do lado de fora e lá estava ela. — Eu sei mãe... tudo bem.. mãe para de gritar, vou dar o meu jeito de ir pra casa... eu pego um táxi ou vou chamar um uber... não mãe, eu não quero ver os padrinhos agora... Mãe, eu estou cansada da viagem, tudo bem mãe, mas tarde eu apareço aí.– eu juro que não queria ouvir a conversa dela, mas eu ela estava muito próximo a mim e foi impossível não ouvir.— Beijos mãe... agora onde eu arrumar um táxi.– ela começou a bater o pé. Era engraçado ver aquela miniatura ruiva estressada. — Será que eu posso te ajudar?– ela olhou pra mim por cima do óculos.— Eu aluguei um carro, posso deixar próximo a sua casa se quiser.– ela tirou óculos, me mediu dos pés a cabeça. — Melhor não, mas aceito uma carona até a paróquia Nossa Senhora da Boa viagem?– puxei na memória onde ficava essa igreja, me lembrei que era na estrada da Gávea. — Posso sim, quer ajuda com a mala?– ela ergueu uma das sobrancelhas.— Tudo bem, vamos o carro está logo ali.– apontei a direção de onde estava o carro e ela foi andando na frente. O que foi um erro, enquanto ela andava eu não tive como não olhar pra b***a dela e suas pernas bem definadas. — Melhor recepção não poderia ter.– olhou pra trás. — Falou alguma coisa.– neguei com a cabeça. — Só pensei alto, pensei alto demais. Depois de deixar aquela ruiva teimosa lá, eu parti pro meu morrão. Que saudade eu estava desse lugar, é claro como era de se esperar meu carro foi parado. — Abaixa a p***a do vidro playboy.– o Ricardinho, meu amigo de infância, bateu no vidro com o fuzil. Fiz o que ele pediu, assim que eu baixei os vidros, ele abriu um sorriso quando me viu. — c*****o é o Guido...– ele fez um toque.— Parabéns pela atuação, tá jogando pra caralho.– esses comentários sempre me deixam muito feliz, o Ricardinho era um dos melhores na escolinha de futebol. Era pra ele estar jogando no flamengo junto comigo, mas a realidade dele era bem diferente da minha e acabou entrando pro movimento. — Valeu Ricardinho, o que tá pegando aqui?– falei me referindo a segurança fortalecida. — O de sempre Guido, o bicho tá pegando, mas vai melhorar.– eles terminaram de revistar o meu carro. Tive que sair do carro pra dar alguns autógrafos e tirar foto com muleques. — Domingo vai rolar um Fut dos amigos, tu vai brotar mano? — É claro que vou e ainda vou jogar no teu time.– falei rindo. — Aí não,pô.. tu sabe que nós tem que ser um contra o outro, pra não ficar desigual.– concordei com ele.— Vou te dar um aviso, não fica dando bobeira com esse carro não, melhor tu andar com um blindado. — Esse carro não é meu, mas valeu pelo toque.– eu entrei no meu carro de novo, e segui pra casa dos meus pais. Eu m*l coloquei o pé pra dentro e a minha mãe já veio me abraçando. — Meu Deus, como você está magro meu filho.– ela me apertava forte.— Você não tem comédia direito, olha só como você emagreceu. — p***a Lica, deixa o muleque respirar.– meu pai falou apareceu no meu campo de visão.— E aí filhão, c*****o olha pra isso, o muleque tá gatão.– ele falou se gabando. — GUIDOOOOO.– a Isadora pulou nos meus braços.— Que saudades do meu irmão favorito.. — A sua sorte é que ele também é o meu irmão favorito. — Vocês também são os meus gêmeos favoritos. — Nós somos os únicos...– eles falaram juntos. — Senti falta de vocês família...
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