NARRADO POR: DANIEL Bittencourt O som ambiente da L’Empire não era apenas música; era uma agressão rítmica, uma pulsação constante e visceral que transformava o ar em algo sólido. O grave reverberava no meu esterno, fazendo o cristal da minha taça vibrar em uma frequência que tornaria qualquer pensamento linear um desafio intransponível para um homem comum. Mas eu não operava na frequência dos homens comuns. Eu era uma máquina de cálculo de alta precisão, revestida por um terno de três mil dólares e uma armadura de indiferença que levei décadas para forjar. Eu observava o camarote privativo com o distanciamento de um entomologista estudando insetos em um frasco de vidro. Diego estava em seu habitat natural, a personificação do excesso inconsequente. Ele mantinha um braço jogado com de

