Capitulo 17 Arlete

1419 Words

O ECO DA DOR NO VAZIO NARRADO POR: ARLETE LACERDA O som da porta batendo foi como um tiro de misericórdia no silêncio que ficou. A Mariana saiu, o ódio carregado nos ombros, e eu fiquei ali, jogada no chão frio daquela cozinha que já viu mais sangue meu do que alegria. O Francisco foi embora levar o resto da alma dele pro boteco, e eu fiquei com o gosto de ferro na boca e o latejar constante na têmpora, um tambor rítmico que me lembrava que eu ainda estava viva. Infelizmente. Tentei me mexer e um grito mudo morreu na minha garganta. Minha costela parecia um graveto seco prestes a perfurar o pulmão. Arrastando o corpo, me apoiei no pé da mesa a mesma mesa onde um dia a gente tomou café rindo, antes das dívidas, antes da cachaça virar o único deus dessa casa. Olhei para o chão e vi uma p

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