PONTO DE VISTA: RICARDO VIANA O estalo seco do interruptor no banheiro do meu flat funcional pareceu um tiro de misericórdia no silêncio sepulcral da madrugada. A luz branca, fria e cirúrgica das lâmpadas de LED ricocheteou nos azulejos impecáveis e me atingiu como um soco direto nos olhos inchados, fazendo minha visão latejar em tons de vermelho e cinza. Eu levei as mãos à pia de mármore, sentindo a cerâmica gelada contra as palmas das mãos que ainda teimavam em tremer, um resquício humilhante da descarga de adrenalina e pavor que o Rocha injetara no meu sistema. Forcei meu corpo a se erguer, cada vértebra gritando em protesto, cada costela enviando um sinal de agonia para o meu cérebro saturado de uísque e ódio. Eu não queria olhar. Queria continuar na escuridão, onde a minha dignidade

