PONTO DE VISTA: DANIEL BITTENCOURT Tranquei a porta da minha suíte com um estalo seco e metálico, o som ecoando pelo mármore como uma sentença de morte proferida num tribunal onde eu era o único juiz. O silêncio daquele quarto, que sempre foi o meu santuário de ordem, disciplina e controle absoluto, agora parecia carregado de uma eletricidade estática, denso, quase irrespirável. O ar estava impregnado com o rastro dela aquela mistura maldita e inebriante de baunilha barata, suor de medo e a chuva que ela trouxe da rua para dentro do meu império. Cada vez que eu puxava o ar, sentia o eco do arquejo agudo e involuntário que ela soltou quando meu dedo a invadiu sem pedir licença, reivindicando um território que o contrato dizia ser meu, mas que a mente dela tentava negar. Eu estava possesso

