NARRAÇÃO: MARIANA LACERDA Mas Daniel ainda não estava satisfeito. Ele deu um passo à frente, invadindo o espaço de Mercedes de uma forma que a fez recuar instintivamente contra o batente da porta do closet, o ar fugindo dos pulmões da governanta diante daquela carga de autoridade bruta e crua. Ele inclinou a cabeça, os olhos escuros brilhando com uma crueldade gélida que me lembrou exatamente quem ele era: o lobo que não tolera insubordinação na sua alcateia e que tritura qualquer um que tente latir mais alto que o seu comando. — A partir de hoje, Mercedes, preste bem atenção — ele começou, a voz baixando para um registro perigosamente suave e vulgar, o tipo de tom que precede um golpe fatal. — Se você desobedecer uma única ordem da minha mulher, ou se ousar abrir a boca para proferir qu

