NARRAÇÃO: DANIEL BITTENCOURT O silêncio do elevador privativo, logo após a saída tempestuosa e barulhenta da Mariana, era um vácuo de pressão que eu preenchi com o som pesado da minha própria respiração, ainda descompassada, ainda carregada de uma adrenalina que eu não sentia em nenhuma mesa de negociação de bilhões. Olhei para o espelho de aço escovado e vi o que restava do "CEO impecável", a imagem do homem que o conselho de acionistas idolatrava: o lábio inferior partido, inchado, um rastro de sangue escuro e seco decorando o canto da boca como uma medalha de desonra. E, abaixo da linha da cintura, o fogo de um desejo primitivo e vulgar que eu não conseguia apagar com nenhuma dose de lógica fria. Eu estava de p*u duro, sentindo a pulsação batendo forte nas têmporas, uma dor incômoda e

