NARRAÇÃO: BEATRIZ O Brasil não é um país para amadores, e muito menos para mulheres que ainda acreditam em contos de fadas com finais felizes. Aqui, a gente não apenas acorda; a gente desperta para mais um dia de combate em uma guerra que não escolhemos, mas na qual fomos alistadas no momento em que nascemos com um útero. Se você é mulher, brasileira, e está conseguindo ler estas palavras agora, parabéns: você é uma sobrevivente de um conflito invisível e silencioso que ceifa a vida de quatro de nós a cada vinte e quatro horas. Ser mulher neste território é carregar um GPS interno, biológico e instintivo, que mapeia o perigo em tempo real, 24 horas por dia: é o passo pesado que ecoa atrás de você no metrô deserto, é o carro de vidro fumê que desacelera sem motivo na rua sem saída, é a mud

