Capitulo 32 Mariana

1399 Words

NARRAÇÃO: MARIANA LACERDA A recepcionista me mediu de cima a baixo com um olhar que fedia a condescendência, privilégio hereditário e perfume francês de três mil reais o frasco. Ela ajeitou o fone de ouvido de cristal com uma delicadeza teatral, as unhas impecavelmente pintadas de um nude translúcido batucando sobre a bancada de mármore branco de Carrara como se contassem os segundos da minha insolência. Para aquela mulher, eu era apenas um ruído irrelevante, uma frequência de rádio estática perturbando a harmonia sinfônica daquele santuário de bilhões. Eu era a mancha de café no carpete persa, a interrupção grosseira na sua manhã perfeitamente agendada de luxo e futilidade. — Mariana Lacerda? — Ela repetiu meu nome como se estivesse provando algo estragado, soltando uma risadinha nasala

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