NARRAÇÃO: MARIANA LACERDA O som dos passos de Daniel contra o granito da varanda era um metrônomo de pura arrogância, marcando o ritmo da minha nova e odiada servidão. Ele caminhava em direção à saída com uma indiferença que me feria mais do que qualquer insulto direto, ignorando a minha existência como se eu fosse apenas uma estátua de jardim ou parte da paisagem de luxo que ele adquiriu com um estalar de dedos. Mas o ódio que borbulhava no meu peito, um líquido espesso e inflamável, não conhecia o conceito de silêncio obsequioso ou submissão silenciosa. Corri atrás dele, meus pés descalços batendo na pedra fria e polida, a camiseta velha de algodão a última lembrança da minha vida real balançando com o movimento brusco e desesperado. Alcancei-o no topo da escadaria que dava para o jar

