NARRAÇÃO: MARIANA LACERDA Simone me observava com uma mistura de fascínio mórbido e preocupação genuína, seus olhos castanhos mapeando a tensão que fazia meus ombros parecerem blocos de concreto armado. Ela soltou o talher de prata, e o som do metal contra a porcelana da Limoges ecoou na sala de jantar silenciosa como um veredito de tribunal. — Mari... o que foi isso? — ela perguntou, a voz baixinha, quase um sussurro, como se temesse que as paredes daquela mansão tivessem ouvidos. E, conhecendo o Daniel, elas provavelmente tinham microfones banhados a ouro. — O beijo... a forma como ele te olhou... Jesus, eu nunca vi o meu irmão perder a linha desse jeito. Ele parecia um animal marcando território. — O início do fim dele, Simone — respondi, e a minha voz saiu mais rouca do que eu prete

