NARRAÇÃO: DANIEL BITTENCOURT – O ARQUITETO DO CAOS CORPORATIVO A loira no meu colo, uma dessas mulheres que orbitam camarotes vips como satélites de luxo em busca de um brilho que não possuem e de um sobrenome que nunca terão, começou a traçar círculos lentos, possessivos e irritantes com a ponta do dedo sobre o meu peito, exatamente por cima da seda italiana da minha camisa. A voz dela saiu num sussurro açucarado, uma performance ensaiada exaustivamente diante do espelho para parecer sensual, mas que, para os meus ouvidos treinados no cinismo mais cortante do mundo corporativo, soava apenas como o zumbido persistente e patético de um inseto de verão que a gente esmaga sem sequer olhar para o lado. — Que tal irmos para um lugar mais... reservado, Daniel? — ela murmurou, a mão subindo pel

