PONTO DE VISTA: MARIANA LACERDA O maxilar do policial endureceu de uma forma que eu quase pude ouvir o som do osso rangendo sob a pele tensa. A veia em seu pescoço pulsava como uma serpente sob pressão, mas, num esforço hercúleo de controle que me causou mais calafrios do que seus gritos, o tom de sua voz voltou a ficar perigosamente suave. Era uma suavidade doentia, a calma de um predador que sabe que a presa não tem para onde correr. — Bia… — ele disse, a voz aveludada, ignorando minha existência por completo, como se eu fosse um inseto incômodo que ele esmagaria mais tarde. — Eu só quero conversar, meu amor. Você me conhece. Eu perdi a cabeça, eu sei. Mas eu só quero conversar. Vem. Cinco minutos. Dentro do carro. A gente resolve isso como adultos, sem esse espetáculo todo no meio

