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Mikhail.
Estou no meu escritório durante um expediente comum, quando o telefone não para, as reuniões se sobrepõem e nada, absolutamente nada, deveria sair do lugar.
Reconheço o lugar de imediato — a mesa de madeira escura, as paredes de vidro, a cidade pulsando lá embaixo como um algo vivo. Tudo está exatamente como deixei antes de ir embora naquela noite. Organizado. Controlado.
Então a porta se abre.
Isabella entra sem bater.
Ela não parece surpresa por me encontrar ali. Nem nervosa. Caminha com uma confiança que não existe na realidade — uma segurança que só os sonhos permitem. Usa uma saia curta demais para um ambiente profissional. Não vulgar. Apenas… consciente da diaba que ela é.
Fecha a porta atrás de si.
O som ecoa mais do que deveria.
— Você mandou me chamar — ela diz.
Sua voz é calma, mas há algo por baixo, uma camada que não sei se é intenção ou projeção minha. Tento responder, mas fico preso à cadeira, como se o próprio escritório tivesse decidido me julgar.
Ela se aproxima da mesa.
Cada passo é medido. Lento. Calculado. Isabella apoia as mãos na mesa e se inclina levemente para a frente deixando seus lindos s***s à mostra. O movimento faz a saia subir um pouco mais. O suficiente para ser devastador e deixar meu p*u duro como pedra.
Ela sabe exatamente o que está fazendo.
Meu olhar atrai ela antes que eu consiga desviar.
— É aqui que vou aprender tudo, não é? — ela pergunta.
Não espero pela pergunta seguinte, mas ela vem mesmo assim.
— Tudo o que meu pai acha que você pode me ensinar é aqui? — ela pergunta, deixando a calcinha rendada escorregar pelas pernas e a entrega para mim.
Eu a pego e absorvo o aroma da sua b****a encharcada.
Ela contorna a mesa, invadindo meu espaço pessoal sem pedir permissão. Para ao meu lado. Próxima demais. Consigo sentir o calor do corpo dela, o perfume inebriante, apimentado inadequado para alguém que deveria transparecer responsabilidade.
— Você parece tenso — ela murmura.
Ela se abaixa e abri meu zíper e expõe a minha ereção.
Ela mantém sua postura firme o suficiente para que seu rosto fique na altura do meu, o olhar firme, direto, consciente demais. Um gesto simples — e completamente fora de controle.
Ela me leva à loucura com a boca, e mesmo depois de tantas outras, percebo que nenhuma nunca me fez sentir assim.
Nesse momento, entendo o que trabalhar com ela representará.
— Vai ser difícil trabalhar comigo? — Isabella pergunta, quase divertida.
Abro a boca para responder.
E acordo.
O teto do meu quarto me encara de volta. O corpo tenso. A respiração irregular. A certeza imediata, brutal, martelando na minha cabeça.
Estou ferrado.
Porque em breve Isabella Matarazzo vai começar a trabalhar comigo. No meu andar. No meu escritório. Sob minha supervisão direta.
E Romeno vai confiar a mim a tarefa de ensiná-la tudo.
Cada procedimento.
Cada negociação.
Cada detalhe do negócio.
Vou passar dias, semanas, meses ao lado da filha do meu sócio.
Da mulher que meu inconsciente já traiu antes mesmo que isso comece.
Passo a mão pelo rosto, sento na beira da cama e encaro o vazio.
Não é desejo que me assusta.
E ter Romero como meu melhor amigo,sabendo da superproteção que ele tem com a filha, mantida longe de qualquer influência, eu não seria o melhor partido para corrompê-la.
Há uma certeza amarga se formando em mim: quando Isabella finalmente cruzar aquela porta, só me restará escolher entre o controle… ou as consequências.
O sonho não vai mais ser o lugar mais perigoso.
Caio no sono outra vez e acordo quando o relógio de parede marca sete da manhã, com o gosto amargo do sonho ainda preso à minha mente.
Não é a primeira vez que sonho com ela, e nem será a última.
Sou um homem respeitado. Um nome que abre portas. Sócio de Romeno Matarazzo, presença imponente em reuniões onde o poder é servido em taças de cristal. Para o mundo, sou controle, estratégia, lucidez. Para mim mesmo… sou um homem à beira da ruína.
Porque até dormindo eu falho.
Isabella Matarazzo invade meus sonhos como uma culpa que se recusa a ser absolvida.
Ela é adulta, formada, inteligente — e ainda assim carrega algo intacto no olhar. Uma pureza que não combina com o ambiente predatório em que cresceu. Talvez seja isso que me destrua: o fato de que ela não saiba nada desse mundo… nem o que se passa dentro de mim.
Sempre a vejo perto demais.
Sentada à mesa de reuniões, silenciosa, observando enquanto os homens falam sobre números e poder. Caminhando pelo jardim da casa de Romeno, a luz da tarde desenhando sombras suaves em seu rosto. Olhando para mim como se eu fosse apenas mais um aliado do pai — nunca como aquilo que sou quando fecho os olhos.
Ela não sabe.
Essa ignorância é o que me condena.
Acordado, controlo cada gesto. Cada palavra. Cada olhar que dura meio segundo a mais do que deveria. Sou disciplinado. Frio. Experiente demais para cometer erros visíveis.
Mas no território dos sonhos, não há contratos. Não há ética. Não há o peso do sobrenome Matarazzo me esmagando o peito.
Há apenas a consciência brutal de que desejo algo que jamais deveria desejar.
Antes, mulheres eram distrações. Companhia conveniente. Relações vazias que começavam e terminavam sem deixar marcas. Nada que sobrevivesse ao amanhecer. Eu sempre fui bom em separar necessidade de emoção.
Isabella quebrou essa lógica sem jamais tocar em mim.
Ela não faz nada. Não provoca. Não seduz.
Ela simplesmente existe.
E isso é o bastante.
Questiono-me todos os dias se Romeno percebe algo. Se ele notar o silêncio que se instala quando ela entra na sala. Se vê o modo como me afasto instintivamente — como se a distância física pudesse apagar pensamentos.
Talvez ele confie demais em mim.
Talvez essa confiança seja o meu castigo.
Porque alguém deveria protegê-la desse mundo. Dos homens que a cercam com sorrisos calculados. Dos olhares que a despem em silêncio. E, ironicamente, eu sou um deles.
A diferença é que eu odeio a mim mesmo por isso.
Estou preso a um desejo que nunca será confessado. Nem a ela. Nem a ninguém. Um pecado que não busca redenção, apenas controle.
Quando eu termino meu café, visto meu terno como uma armadura.
O trajeto até o escritório é automático. O motorista segue o caminho de sempre, o trânsito obedece à lógica previsível da cidade, e eu observo tudo através do vidro escuro como se fosse apenas mais um dia comum. Ninguém imagina que, poucas horas antes, minha mente tenha sido um campo de batalha que ainda cheira a pólvora. Encontro Romeno, aperto sua mão e falo de negócios como se meus pensamentos não tivessem ido longe demais… direto para filha mais nova do meu melhor amigo.
E então… Isabella surge, contida e impecavelmente educada, aproxima-se a mando de Romero.
— Mikhail — ela diz, a voz correta demais, o sorriso neutro demais.
Respondo do mesmo jeito, mantendo a distância que nos foi imposta.
A voz continua correta. O sorriso, educado. Mas o olhar… o olhar não combina com nenhum dos dois.
Respondo do mesmo jeito, mantendo a distância que nos foi imposta. Ou tentando. Porque o vermelho da boca dela prende minha atenção por tempo demais, e isso não passa despercebido.
Romeno fala. Explica. Confia.
Diz que Isabella ficará sob minha orientação direta. Que devo ensinar tudo o que ela precisa aprender. Isabella ouve em silêncio, as mãos cruzadas à frente do corpo, postura quase inocente. Se alguém olhasse rápido demais, juraria que ela não faz ideia do efeito que causa.
Mas ela faz.
Quando começamos a caminhar pelo escritório, Isabella anda meio passo atrás de mim — o suficiente para parecer respeito, o suficiente para me obrigar a sentir sua presença. Faz perguntas inteligentes, mas às vezes inclina levemente a cabeça ao falar, como se estivesse genuinamente curiosa. Como se estivesse interessada demais.
— Você parece levar isso muito a sério — ela comenta, enquanto atravessamos um corredor de vidro.
— Costumo levar — respondo. — É o que esperam de mim.
— Meu pai confia em você — ela diz, com suavidade. — Eu também deveria confiar.
A frase é simples. O jeito como ela sustenta meu olhar, não.
No meu escritório, ela entra primeiro. Observa o espaço com calma, como se estivesse absorvendo mais do que móveis e vista. Quando se vira para mim, encosta levemente na borda da mesa. Um gesto pequeno. Inofensivo.
Nada é por acaso.
— Então… — ela diz — é aqui que vou aprender?
— Depende — respondo, cruzando os braços. — De quão disposta você está a ouvir.
Ela sorri. Um sorriso que não mostra os dentes. Quase tímido.
— Sou uma ótima aluna.
Senta-se à minha frente, cruzando as pernas com cuidado. O movimento é contido, mas a saia sobe o suficiente para chamar atenção — e ela não tenta corrigir. Finge não perceber. Essa é a parte mais perigosa.
Começo a explicar processos, gráficos, projetos. Isabella acompanha tudo com atenção exagerada, inclinando-se para a tela, aproximando-se mais do que o necessário. O delineador realça cada olhar que ela levanta na minha direção. O vermelho da boca torna qualquer palavra mais lenta. Mais pesada.
— Assim? — ela pergunta, apontando para a tela, os dedos próximos demais dos meus.
— Exatamente assim — respondo, sem recuar.
Provoco -a de volta com controle. Com tom. Com autoridade.
— Aqui, Isabella, não importa parecer confiante. Importa ser.
— E você vai aprender rápido… se prestar atenção.
Ela ergue os olhos para mim, expressão quase inocente demais para a pergunta que faz:
— E se eu errar?
Sustento o olhar por um segundo a mais do que deveria.
— Então eu corrijo.
O silêncio que se instala não é profissional. Não é confortável. Mas nenhum de nós quebra.
Ela assente, como se estivesse satisfeita. Como se tivesse conseguido exatamente o que queria — ainda que não saiba nomear.
E naquele instante, tenho certeza absoluta de duas coisas:
Agora percebo que Isabella sabe provocar. A dúvida é se ela sabe fazer isso sem se queimar.