Ele encostou do meu lado, apoiando o fuzil no muro, com a cara fechada, puxando o ar pesado. O silêncio durou uns segundos, só nós dois secando a caminhada do Benjamin lá embaixo, vendo o intocável brincar com o filhinho. — Pega a visão, Lucas... — Caveira soltou a voz grossa, rasgando o silêncio, sem tirar os olhos do alvo. — O morro todo tá sentindo o cheiro da neurose no ar. A pista tá estranha, mermão. Papo reto de cria pra cria, sem fazer curva: tu vai meter marcha nessa fita mesmo? Vai querer tirar teu próprio irmão do mapa? O bagulho é louco, é sangue do teu sangue. Derrubar o dono do morro é caminho sem volta. Bala que sai do cano não volta pro tambor. Virei o pescoço devagar pra encarar o Caveira. O sol batia no meu rosto, mas a minha expressão era puro gelo. Não tinha remorso,

