Eu não tava ali pra fazer amizade ou jogar conversa fora. Quando a minha mão bateu com força no primeiro saco de cimento, a nuvem de poeira cinza subiu no ar, grudando no meu suor na mesma hora. Joguei os cinquenta quilos nas costas, sentindo os pontos do ombro repuxarem no limite extremo. A costela gritou de dor, o músculo recém-curado rasgou por dentro, mas a dor física era exatamente a p***a do remédio que eu tava precisando pra não surtar. A cada saca de cimento que eu descia do caminhão e empilhava no fundo do galpão, a imagem daquela mulher sangrando na minha mente perdia a força. Eu transformei a agonia em ódio puro, e o ódio numa força bruta incontrolável. Os dois magricelas encostaram no canto e ficaram só de plateia, me olhando feito assombração. Eu virei uma máquina do asfalto,

