O silêncio na minha pequena varanda tornou-se tão denso, tão pesado, que eu podia ouvir perfeitamente o zumbido suave do vento passando pelas folhas das minhas samambaias. Eu estava completamente congelada, com o vasinho de argila apertado contra o meu peito, os meus olhos arregalados, fixos naquela figura imensa, coberta de tatuagens, que bloqueava toda a luz da porta. O coração batia tão descompassado que a minha respiração se tornou curta, presa no fundo da garganta. Ele me encarava com aqueles olhos azuis, profundos e tempestuosos, e eu confesso que esperei pelo pior. O meu instinto, forjado pela dureza de morar perto de uma comunidade onde a violência muitas vezes dita as regras cruéis da vida, me dizia que ele iria explodir. Eu achei que ele fosse esbravejar, quebrar as coisas ao re

